O rapper Mauro Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, terá audiência de instrução nesta segunda-feira às 16h na 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O procedimento inicia a fase de instrução no Tribunal do Júri do processo em que ele é acusado de duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis. O artista está foragido desde fevereiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os fatos que originaram a ação ocorreram em julho de 2025, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumpriam um mandado de busca e apreensão na residência atribuída ao suspeito, no Joá, Zona Sudoeste do Rio. Durante a ação, Oruam e outros investigados teriam atirado pedras contra os policiais, comportamento que, de acordo com a acusação, assumiu o risco de causar a morte das vítimas.

Além das duas imputações por tentativa de homicídio qualificado, a peça acusatória inclui os crimes de resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. A audiência, que estava inicialmente prevista para março, foi remarcada e será a primeira audiência da fase instrutória no Tribunal do Júri.

No fim de abril, o caso recebeu novos desdobramentos com a expedição de um novo mandado de prisão contra Oruam, desta vez no âmbito de uma investigação por suposta lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. A investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) também resultou em denúncia contra o traficante conhecido como Marcinho VP, sua esposa Marcia Gama Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno (Oruam) e outras nove pessoas.

De acordo com a denúncia, o esquema consistiria no “branqueamento” de recursos provenientes do tráfico de drogas em comunidades do Rio. O MPRJ afirma que Marcinho VP manteria influência hierárquica sobre a facção mesmo estando preso há mais de 20 anos, coordenando receitas e estratégias de expansão. Marcia Nepomuceno é apontada como gestora financeira do grupo, recebendo valores em espécie de traficantes identificados pela investigação — entre eles Edgar Alves de Andrade, Wilton Carlos Rabello Quintanilha e Luciano Martiniano — e utilizando estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas para ocultar patrimônio.

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A denúncia também sustenta que Oruam teria sido beneficiário direto dos recursos ilícitos, recebendo pagamentos de traficantes como Doca e Pezão para custear despesas pessoais, viagens, festas e investimentos, além de usar a carreira musical como meio de dissimular a origem desses valores. Na peça, o MPRJ divide a estrutura da organização em quatro núcleos: liderança encarcerada (atribuição a Marcinho VP); núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno); núcleo de suporte operacional (responsável pela lavagem e ocultação de bens); e núcleo de liderança operacional (traficantes apontados como responsáveis pela movimentação dos recursos e repasses ao núcleo familiar), citando nomes como Eduardo Fernandes de Oliveira e Ederson José Gonçalves Leite.

A audiência de instrução na 3ª Vara Criminal do TJ-RJ marcará o começo da fase probatória no Tribunal do Júri para as acusações de tentativa de homicídio qualificado e demais crimes que constam na denúncia.

Com informações de Infomoney