Em janeiro de 2026, o professor Francisco Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP), foi agraciado com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel, entregue pela fundação alemã Alexander von Humboldt. A distinção reconhece seus avanços no uso de inteligência artificial (IA) para diagnosticar transtornos mentais a partir de exames laboratoriais e de imagem, com taxa de acerto superior a 90%.
Diagnóstico assistido por algoritmos
O grupo de pesquisa liderado por Rodrigues desenvolve algoritmos de aprendizado de máquina treinados com dados de ressonância magnética e exames laboratoriais. Em testes publicados em periódicos como Nature e PLOS One, o sistema identificou alterações cerebrais associadas a condições como epilepsia, autismo e esquizofrenia.
Utilizando imagens de ressonância magnética, os pesquisadores conseguem mapear regiões do cérebro afetadas por cada transtorno. “Identificamos quais áreas foram alteradas em casos de epilepsia, autismo ou esquizofrenia e relacionamos essas mudanças a cada condição específica”, afirma o professor.
Atualmente, o diagnóstico de transtornos mentais depende da avaliação clínica e de testes psicológicos, sem marcador biológico definido, ao contrário de doenças como diabetes. Rodrigues acredita que, em breve, exames cerebrais poderão indicar a presença de depressão ou outras condições psiquiátricas de forma antecipada.
A técnica, ainda em estágio inicial, tem potencial para auxiliar psicólogos e psiquiatras, sobretudo em fases iniciais ou em quadros com sintomas semelhantes. Segundo o pesquisador, o método clínico tradicional não permite prever, por exemplo, o desenvolvimento de esquizofrenia ao longo dos anos.
Dados do Censo de 2022 apontam que 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA). Além disso, 1,6 milhão de pessoas entre 15 e 44 anos convivem com esquizofrenia, e 1,7 milhão de idosos acima de 60 anos vivem com demências, como Alzheimer e Parkinson.
Desafios na coleta de dados e próximos passos
As pesquisas em São Paulo também utilizam registros de eletroencefalograma (EEG) e colaboram com instituições nos Estados Unidos para ampliar a base de dados. Contudo, a coleta enfrenta limitações: exames de EEG podem apresentar imprecisão, e a ressonância exige que o paciente permaneça imóvel por até 40 minutos.
Imagem: Divulgação
O prêmio Friedrich Wilhelm Bessel oferece 60 mil euros para financiar a continuidade do trabalho. Em Frankfurt, Rodrigues pretende usar organoides cerebrais – os chamados minicérebros – para capturar sinais elétricos em chips e aprimorar os algoritmos.
Formado em Física pela USP, o pesquisador mantém laços com a Alemanha desde 2006, quando atuou como aluno visitante no Instituto Max Planck. Sua colaboração com a professora Cristiane Thielemann, da Universidade de Ciências Aplicadas de Aschaffenburg, iniciada em 2011, foi fundamental para a indicação ao prêmio.
Durante 2026, Rodrigues ministrará cursos sobre sistemas complexos e aprendizado de máquina na Fundação Humboldt. A previsão é de que, em cerca de dez anos – após aprovação da Anvisa –, um método automatizado de diagnóstico de transtornos mentais esteja disponível no mercado.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6