A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, iniciou seu mandato com uma série de medidas fiscais ousadas, voltadas a combater anos de deflação e estagnação econômica. Em pouco mais de 110 dias no cargo, ela já aprovou um orçamento suplementar recorde, intensificou os gastos militares e anunciou grandes investimentos públicos em inteligência artificial e na indústria de semicondutores.
Entre as ações mais controversas está a proposta de suspender parte do imposto sobre o consumo, iniciativa que, segundo o Ministério das Finanças japonês, pode reduzir receitas em mais de US$ 30 bilhões por ano. O anúncio provocou aumento nos rendimentos dos títulos públicos de referência, à medida que investidores demonstraram preocupação com a capacidade do governo de arcar com os custos do estímulo.
Referendo nas urnas
No domingo (8), Takaichi convocou eleições antecipadas que funcionaram, em parte, como plebiscito sobre sua estratégia econômica. A vitória expressiva de seu partido foi interpretada como sinal de que os eleitores aprovam a “mudança proativa na política fiscal” implementada pela premiê.
O mercado acionário reagiu de forma favorável às medidas. Sob a gestão de Takaichi, o índice Nikkei 225 alcançou novos patamares históricos, sustentado por um iene desvalorizado e lucros corporativos robustos. Ainda assim, as famílias japonesas enfrentam aumento nos preços de itens essenciais, como energia e alimentos, o que tem pressionado o orçamento doméstico.
Inflação e renda das famílias
O ciclo de inflação que assustou governos anteriores começa a perder força. Pesquisas indicam que o índice de preços ao consumidor deverá cair para cerca de 1% em fevereiro, percentual que não era registrado havia quase quatro anos. Esse movimento tende a permitir que os salários cresçam acima da inflação, aliviando os custos de vida e reforçando o poder de compra das famílias.
Imagem: Ap
Riscos externos
Apesar do cenário interno promissor, Takaichi enfrenta tensões com a China. Depois de declarações sobre a defesa de Taiwan, Pequim restringiu a importação de frutos do mar japoneses, limitou o turismo em grupo e sinalizou cortes nas exportações de minerais críticos, fundamentais para a indústria nipônica. Economistas alertam que a combinação de queda no turismo e redução no fornecimento de terras raras pode comprometer até um ano de crescimento econômico.
Com a promessa de manter o estímulo fiscal e buscar o crescimento sustentável, o governo de Takaichi segue monitorando indicadores domésticos e diplomáticos, na tentativa de equilibrar desenvolvimento e controle da dívida pública.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6