O primeiro ETF brasileiro dedicado a minerais críticos começou a ser negociado no fim de junho na B3, em um momento de valorização estratégica desses recursos nas relações comerciais internacionais. O produto RARA11, da Investo, reproduz o VanEck Rare Earth/Strategic Metals ETF (REMX), negociado em Nova York.

Na sequência do RARA11, mais dois fundos negociados em bolsa com foco em terras raras e minerais estratégicos passam a ser oferecidos a partir da segunda quinzena de julho: o EART39 e o CHPX39, ambos da Global X. O EART39 acompanhará o índice Solactive Rare Earth and Critical Materials Index, formado por empresas globais da cadeia de extração e refino desses minerais. O CHPX39, embora não vinculado diretamente às terras raras, seguirá o Global X AI Semiconductor & Quantum Index, que reúne empresas relevantes para tecnologia, inteligência artificial e produção de chips.

Riscos e perspectivas de valorização

A corrida por minerais críticos tem se intensificado não só pelo papel desses insumos na indústria tecnológica, mas também pelo uso desses ativos como ferramenta em negociações comerciais globais. Entre os principais riscos ao investidor estão choques externos e disrupções geopolíticas.

Ao mesmo tempo, o setor pode se beneficiar de aportes, parcerias e da demanda gerada pela transição energética. Em relatório divulgado no mês passado, a agência Fitch Ratings projeta alta de curto prazo nos preços de minerais críticos como cobre, alumínio e lítio, motivada pela demanda e por receios de novas interrupções, citando como exemplo os impactos da guerra no Irã e o eventual fechamento do Estreito de Hormuz, que já afetaram cadeias logísticas de minério de ferro e níquel.

Posição do Brasil no mercado

Minerais críticos englobam elementos estratégicos para setores como tecnologia, baterias, semicondutores e a indústria automotiva. O Brasil aparece como potencial grande player: detém a segunda maior reserva de terras raras e possui importantes jazidas de nióbio, lítio e grafite, embora o aproveitamento dessas reservas seja, em grande parte, considerado subutilizado.

O governo tem a meta de elevar a participação do país na produção mundial de cerca de 8% atualmente para aproximadamente 12% até 2050. Entre os entraves estão a limitada capacidade de extração e, sobretudo, de refino, resultado da escassez de investimentos em conhecimento técnico e tecnologia no setor.

Imagem: Divulgação Vale

Analistas defendem que o avanço depende de investimentos em pesquisa e tecnologia, além de parcerias internacionais, como joint ventures, para transferir know-how e ampliar a competitividade. Um exemplo dessa estratégia é a mineradora Serra Verde, no norte de Goiás, que se fundiu com a americana USA Rare Earth para fortalecer competências e reduzir a dependência dos Estados Unidos frente ao fornecimento chinês.

Regiões como o Vale do Jequitinhonha vêm atraindo investimentos focados na extração de lítio, enquanto a União Europeia tem demonstrado interesse em acordos de cooperação com o Brasil no segmento.

O desenvolvimento da cadeia produtiva nacional e a formação de parcerias são apontados como condicionantes para que o país aproveite o crescimento do mercado de minerais críticos.

Com informações de Borainvestir.b3