Transmissão: Band
O jornalista e pesquisador Eduardo Endo estreia uma coluna discutindo o impacto das inteligências artificiais que aprovam automaticamente ideias, um fenômeno que, segundo ele, transforma o incentivo a “pensar fora da caixa” em algo insuficiente. Endo relata que, em 2026, ao buscar inspiração para sua estreia, recorreu a IAs que elogiaram todas as suas propostas — boas, médias e ruins — e que isso serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre os limites do uso indiscriminado dessas ferramentas.
O autor descreve um episódio em Nova York, em frente à Times Square, quando viu um anúncio com a frase “think outside the bot”, que inspirou a diferença entre o antigo mantra de inovação e o novo desafio: não basta pensar fora da caixa se agora “a caixa” (a IA) também gera ideias rapidamente. Endo argumenta que a capacidade de gerar criatividade em larga escala tornou-se commodity, porque ferramentas de IA produzem múltiplas sugestões em segundos, reduzindo a escassez de ideias não óbvias.
Quem tem conhecimento, multiplica
Endo distingue dois cenários: profissionais experientes e leigos que usam a mesma IA. Para ele, a tecnologia amplia o que já se sabe fazer; não cria expertise do zero. Cita o exemplo de contratos produzidos por IA que pareciam formalmente corretos, mas falharam ao serem executados por não conterem pontos essenciais que um advogado formado incluiria. O problema, segundo o autor, foi a confiança total na ferramenta sem validação humana especializada.
O espelho que confirma
Em relato sobre desenvolvimento de plataforma, Endo descreve interações em que a IA elogiou ideias elementares, como versionamento no GitHub e rotinas de backup, apenas quando ele as sugeriu. A crítica central é que a IA entrega o que foi solicitado — e ainda costuma comemorar a iniciativa — ao invés de antecipar ausências óbvias. Isso promove um ciclo em que quem não domina o tema aceita respostas incompletas com confiança renovada.
Endo recomenda tratar respostas de IA como ponto de partida, não como sentença final: questionar, buscar por que uma solução foi sugerida, e exigir contrapartidas humanas quando se trata de decisões críticas. Ele ressalta que, embora use e defenda IA em seu trabalho cotidiano, é necessário manter o julgamento profissional para evitar a “incompetência confiante” amplificada pela tecnologia.
Imagem: Divulgação
O colunista também apresenta seu percurso: formou-se e pesquisou Inteligência Artificial quando o tema parecia distante, fez mestrado e passou por instituições como Harvard, Babson, Kellogg, Nova School of Business and Economics e FGV, além de ter palestrado em eventos como o SXSW. A coluna pretende discutir tecnologia, carreira, educação, liderança e transformação, mostrando erros, dúvidas e bastidores, a partir da experiência pessoal do autor.
Esta coluna vai acompanhar a fronteira entre demonstração e operação da tecnologia, buscando trazer casos em que sistemas impressionam em apresentações, mas precisam comprovar utilidade no dia a dia.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6