Algumas empresas listadas na bolsa brasileira pagaram proventos generosos aos acionistas no primeiro semestre de 2026, mesmo em um cenário esperado de menor distribuição de dividendos. Levantamento da Economatica citado pelo Bora Investir mostra que ao menos 11 ações apresentaram dividend yield superior a 6% no período — patamar frequentemente apontado como referência para boas pagadoras. O recorte considerou papéis com liquidez e presença nos índices Ibovespa, IDIV e Small Caps.

A incorporadora Moura Dubeux (MDNE3) liderou o ranking com dividend yield de 17,87% no semestre, distribuindo R$ 4,16 por ação. Em seguida vêm PetzCobasi (AUAU3) e Log Commercial Properties (LOGG3), com yields de 17,08% e 13,32%, respectivamente.

Ranking das maiores pagadoras do 1º semestre

Dados do levantamento (dividend yield no semestre / dividendo por ação / dividend yield projetado para os próximos 12 meses):

– Moura Dubeux (MDNE3): 17,87% / R$ 4,16 / projetado 14,22%
– PetzCobazi (AUAU3): 17,08% / R$ 0,74 / projetado 22,88%
– Log (LOGG3): 13,32% / R$ 3,22 / projetado 11,62%
– Petrorecôncavo (RECV3): 12,06% / R$ 1,36 / projetado 13,67%
– Armac (ARML3): 9,03% / R$ 0,40 / projetado 13,76%
– CPFL (CPLE3): 8,67% / R$ 1,06 / projetado 7,08%
– BB Seguridade (BBSE3): 7,17% / R$ 2,59 / projetado 6,62%
– CPFL (CPFE3): 7,00% / R$ 3,73 / projetado 8,33%
– Lavvi (LAVV3): 6,40% / R$ 1,02 / projetado 8,91%
– Allos (ALOS3): 6,18% / R$ 1,75 / projetado 6,25%
– Cemig (CMIG4): 6,13% / R$ 0,69 / projetado 6,32%

Os especialistas consultados ressaltam que, em um ambiente de juros ainda altos — a Selic estava em 14,25% — é crucial distinguir se os proventos vieram de lucros recorrentes, venda de ativos ou eventos societários pontuais, segundo Breno Falseti, sócio e gestor da Rubik Capital.

Destaque: Moura Dubeux

No caso da Moura Dubeux, analistas destacam fundamentos operacionais sólidos. A construtora registrou lucro recorde de R$ 155,5 milhões no primeiro trimestre, margem líquida de 24,8% e retorno sobre patrimônio de 27,2%. Artur Horta, head de análise da GTF Capital, explica que o modelo de negócios da empresa — com obras financiadas pelos clientes a preço de custo — reduz a necessidade de capital próprio e protege contra repasses de inflação, contribuindo para margens robustas e capacidade de distribuir proventos.

Falseti lembra que a ação MDNE3 subiu 30,57% em 2026, o que indica que o yield elevado decorreu de pagamento efetivo de proventos e não de queda no preço do papel. Bruno Oliveira, do Vida de Acionista, afirma que o parcelamento de novos empreendimentos ajuda a preservar fluxo de caixa e traz previsibilidade, mas pondera que o elevado dividend yield pode não se repetir regularmente. Horta também aponta que a entrada da incorporadora no programa Minha Casa, Minha Vida, via parceria com a Direcional (DIRR3), pode ampliar a capacidade de distribuição no futuro.

Outros casos e armadilhas

Entre as empresas bem colocadas, há tanto nomes com histórico consistente de distribuição quanto companhias que pagaram quantias extraordinárias. BB Seguridade (BBSE3) figura no grupo de pagamentos por fundamentos: apresentou dividend yield de 7,17% no semestre, com R$ 2,59 por ação, apoiada pelo lucro recorde de R$ 9,1 bilhões em 2025 e payout de 96%.

Quase 18% de dividend yield em seis meses: ranking das maiores pagadoras no 1º semestre de 2026

Imagem: Divulgação

A CPFL Energia (CPFE3) distribuiu R$ 4,3 bilhões, chegando a yield de 7%, sobre lucro estável de R$ 5,7 bilhões. A Copel (CPLE3), após privatização, melhorou sua estrutura de capital e estabeleceu política de pagar ao menos 75% do lucro, o que também elevou seu retorno em dividendos.

Por outro lado, PetzCobasi (AUAU3) concentrou um pagamento associado à reorganização societária entre Petz e Cobasi, o que fez o dividend yield do semestre subir para 17,08%, mas seus proventos recorrentes representam yield inferior a 1%, conforme Falseti. Oliveira acrescenta que, se os dividendos fossem baseados apenas no resultado operacional, seriam inferiores a R$ 0,05 por ação.

Armac (ARML3) distribuiu cerca de R$ 140 milhões no semestre, quase o dobro do lucro de R$ 73,8 milhões registrado em 2025; a queda de lucro de 58%, aumento do endividamento e recuo de quase 30% na ação em 2026 contribuíram para inflar o dividend yield, segundo analistas, o que torna a distribuição questionável em termos de sustentabilidade.

Perspectivas para a segunda metade de 2026

Para os próximos 12 meses, analistas apontam BB Seguridade como unanimidade entre as que devem seguir remunerando bem, com dividend yield projetado de 10%. Oliveira lembra que a seguradora já anunciou proventos de cerca de R$ 2 por ação referentes ao primeiro semestre, equivalentes a um yield aproximado de 5% apenas nesse pagamento. Falseti estima que, mesmo com eventual queda de juros, a empresa deve manter payout entre 90% e 95% do lucro.

No setor elétrico, Horta cita Copel, Cemig e CPFL com potencial de entregar yield de cerca de 9% nos próximos 12 meses, enquanto Falseti é mais cauteloso com a Copel, projetando 5% a 6% e apontando possibilidade de aumentos via distribuições extraordinárias. Entre as ações do ranking, os analistas também mantêm expectativa de que Moura Dubeux consiga sustentar dividendos elevados, entre 10% e 15% no horizonte de 12 meses, respaldados por demanda, crescimento operacional e margens robustas.

Com informações de Borainvestir.b3