Ian Reis, diretor imersivo e designer da AVA Creative, afirmou durante o São Paulo Innovation Week (SPIW) que experiências em Realidade Estendida (XR) têm potencial para gerar memórias de presença que se aproximam da lembrança de vivências reais. A fala ocorreu na palestra “Cognição Estendida com XR”, apresentada no evento.
Quem, quando e onde
A apresentação de Ian Reis integrou a programação do SPIW 2026, que reúne líderes de empresas, startups, centros de pesquisa, investidores e governos em debates sobre tecnologia, ciência, educação e saúde. O evento teve início na quarta-feira (13), na capital paulista.
Trajetória do palestrante
Reis trabalha com realidade virtual há cerca de dez anos. Segundo ele, entrou na área após um acidente de moto: utilizou o valor do seguro para adquirir um equipamento de filmagem em 360 graus e passou a estudar a tecnologia por conta própria. Ele relatou que, no Brasil, o mercado demorou a levar a linguagem imersiva a sério.
Percepção e sentidos
O ponto de partida da palestra foi a ideia de que a realidade percebida é uma construção do cérebro a partir de estímulos sensoriais. Reis destacou que não acessamos o mundo diretamente, mas interpretamos sinais recebidos pelos sentidos, transformando-os em percepção, memória e significado. A partir desse argumento, questionou como trabalhar a cognição humana em ambientes de realidade virtual nos quais, em geral, só visão e audição são contempladas.
Aplicações práticas e um caso no campo
Para exemplificar o potencial da XR, Reis descreveu um projeto realizado para um produtor de cacau. A equipe filmou, na Bahia, todas as etapas da produção — colheita, plantio e beneficiamento — e montou uma experiência imersiva exibida em um evento em São Paulo. Durante a mostra, havia momentos de sincronia entre o conteúdo virtual e ações no mundo físico: quando o vídeo apresentava alguém segurando uma semente de cacau, a equipe colocava uma semente real na mão do espectador, reforçando a conexão sensorial com o lugar.
Memória de observação versus memória de presença
Reis distinguiu dois tipos de lembrança gerados por diferentes mídias: o vídeo convencional produz o que chamou de memória de observação, enquanto a realidade virtual pode criar uma memória de presença. Para embasar a afirmação, mencionou estudos de neurociência que compararam a resposta cerebral de pessoas expostas ao mesmo conteúdo em tela plana e em VR, indicando maior atividade em áreas relacionadas à emoção no grupo imersivo.
Imagem: Ap
Ele também citou usos médicos da VR no manejo de dor e ansiedade e iniciativas educacionais em que crianças que visitaram museus em XR saíram convencidas de que haviam estado fisicamente no local. Para Reis, criar experiências eficazes envolve articular o físico, o digital, o sensorial e o cognitivo, sem a pretensão de substituir o mundo real.
O SPIW 2026 continua reunindo participantes de diversos setores para debater aplicações e impactos da tecnologia em diferentes áreas.
Com informações de Tecmundo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6