STF determina plano para retirar invasores de Terra Indígena no Pará

Decisão fixa prazo de 90 dias e abre caminho para medidas de proteção ao povo Arara

Área desmatada na Terra Indígena Cachoeira SecaO presidente do Supremo Tribunal Federal estabeleceu neste domingo que o governo federal deve apresentar, em três meses, um plano para remover pessoas não indígenas da Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará. A ordem prevê um cronograma de saída dos invasores e mecanismos para indenizar ocupantes que eventualmente comprovem boa-fé, com identificação coordenada pela Funai.

Proteção, prazos e impacto local

A área, demarcada em 2016 e reivindicada pelo povo Arara, sofre com desmatamento, grilagem e episódios de violência. A decisão exige também a criação de um comitê de governança para proteger grupos isolados ou de contato recente que vivem na região.

O plano solicitado ao Executivo deverá avaliar ainda o cumprimento das condicionantes ambientais vinculadas à construção da usina de Belo Monte, cujos efeitos repercutem na vida das comunidades locais. A sentença aponta a necessidade de ações concretas diante da omissão estatal que, segundo o tribunal, vem agravando a vulnerabilidade dos indígenas.

A medida foi motivada por uma ação movida por organizações indígenas. Além de ordenar a retirada de invasores, a decisão aciona instrumentos administrativos e exige detalhamento de procedimentos — do mapeamento dos ocupantes à definição das indenizações — para garantir que a devolução do território não gere novos conflitos.

Imagem: Divulgação

Com o prazo de 90 dias, o governo terá de apresentar cronograma que inclua responsabilidades, etapas e garantias de proteção às populações tradicionais. A expectativa, entre lideranças e entidades, é que a determinação acelere intervenções no terreno e reduza pressões sobre a floresta e seus moradores.

O desfecho reforça a importância do monitoramento institucional na Amazônia e coloca sob foco a capacidade do Estado de traduzir decisões judiciais em medidas efetivas que preservem vidas, territórios e direitos coletivos.