O transporte de ovos de Páscoa reúne riscos específicos que tornam o seguro uma peça central da cadeia logística entre fábricas e supermercados. A combinação de produtos com estrutura delicada, sensibilidade a temperatura e alto valor agregado exige coberturas e medidas de prevenção para evitar perdas significativas no período que antecede a data.

Segundo Denis Teixeira, vice-presidente sênior de logística e transportes da Alper Seguros, duas características do chocolate orientam a análise de risco nas apólices: a fragilidade física e a possibilidade de deterioração por variações térmicas. Pequenas oscilações de temperatura podem tornar a mercadoria imprópria para venda, e danos por manuseio também são comuns devido à natureza oca e delicada dos ovos.

Do transporte à gôndola

As condições das rodovias brasileiras aumentam a exposição a danos: trepidações, buracos e acidentes podem comprometer lotes inteiros. Quando há sinistro, a indenização depende de comprovação técnica das causas e da cobertura prevista no contrato. Apólices padrão nem sempre contemplam deterioração por calor ou falta de refrigeração; por isso, é recomendada a inclusão de cláusulas específicas para variação de temperatura e perda por deterioração.

Além do risco de avarias, o alto valor movimentado em um curto período transforma o chocolate em alvo de roubos de carga. O aumento do volume de embarques concentrados na temporada eleva a probabilidade de incidentes, o que leva operadores e seguradoras a adotar tecnologias e procedimentos adicionais, como rastreamento por GPS, monitoramento em tempo real e, dependendo da rota e do valor, escolta armada.

O preço do seguro é influenciado por uma série de fatores, entre eles:

  • tipo e valor da mercadoria;
  • sensibilidade térmica;
  • qualidade da embalagem;
  • trajeto e condições da rota;
  • histórico de sinistros;
  • nível de gerenciamento de risco da operação.

A sazonalidade do setor — com grande concentração de embarques em poucas semanas — também pressiona o cálculo do prêmio. Custos adicionais com frete, seguro e medidas preventivas podem ser repassados ao consumidor, impactando o preço final dos produtos nas gôndolas em anos mais críticos.

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Para reduzir perdas, a atuação das seguradoras tem se ampliado além da indenização: elas participam da análise de rotas, revisam processos, orientam sobre embalagens e ajudam a definir estratégias de gerenciamento de risco, buscando evitar que o sinistro ocorra.

Em datas como a Páscoa, perder mercadoria na semana decisiva representa prejuízo maior para fabricantes e varejistas, já que há pouco tempo para reposição e comercialização.

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Com informações de Infomoney