Netflix afirma ter decidido antes de saber proposta superior da concorrência

A Netflix informou que já havia traçado o plano de ação antes de abandonar a tentativa de aquisição da Warner Bros. Discovery, em anúncio encerrado em 26 de fevereiro. Em entrevista à Bloomberg, o co-CEO Ted Sarandos afirmou que a empresa tinha cenário definido para reagir caso surgisse uma oferta superior ao acordo fechado em 5 de dezembro.

TRANSMISSÃO: Band | HBO Max | Paramount+

Sarandos explicou que, ao receber a notificação de que havia uma proposta mais alta — e conhecer os termos desse novo acordo — a companhia soube imediatamente qual seria a resposta. A oferta rival é da Paramount Skydance, que está assumindo dezenas de bilhões de dólares em empréstimos para viabilizar uma operação avaliada em cerca de US$ 111 bilhões, incluindo garantias pessoais incomuns no mercado, segundo o executivo.

O dirigente destacou que a estrutura de financiamento apresentada pela concorrente trouxe incertezas sobre o preço final e sobre as demais condições do negócio. Ele afirmou que a rival assegurou aos financiadores que faria cortes significativos de custos, estimados em mais de US$ 16 bilhões em 18 meses, o que, na avaliação de Sarandos, implicaria redução de produção e demissões em massa.

Sobre o processo regulatório, Sarandos disse que a Netflix enfrentou revisão normal por parte do Departamento de Justiça dos EUA e de outros órgãos — no total, cerca de 50 reguladores globais — e afirmou que essa investigação agora foi encerrada. Ele relatou ter comparecido a reunião programada em Washington com o DOJ e que o encontro foi produtivo, sem mudança drástica de rumo.

O executivo também comentou a repercussão política do negócio, citando manifestações públicas de membros do conselho, como Susan Rice, e a pressão de procuradores-gerais republicanos. Segundo Sarandos, o presidente permaneceu neutro, e a investigação seguiu o procedimento esperado.

Sarandos negou que a Netflix tenha utilizado a negociação como estratégia para forçar um concorrente a pagar mais, lembrando que a companhia gastou tempo e recursos no processo regulatório e que queria o ativo — mas até um limite: US$ 27,75 por ação foi o teto que a empresa definiu para igualar propostas. Ao final, ele disse que existem formas mais simples de obter US$ 2,8 bilhões, em referência ao valor recebido no desfecho.

Imagem: Divulgação

O executivo afirmou que, apesar de a Netflix não ter concluído a compra, o processo abriu diálogo com exibidores de cinema e pode resultar em mais lançamentos da plataforma nas salas — citou como exemplos parcerias já vistas em títulos como Stranger Things, KPop Demon Hunters e o lançamento de One Piece previsto nos EUA e no Japão na semana seguinte.

Sarandos declarou ainda que, no momento, é improvável que a Netflix busque outra aquisição de estúdio nos próximos 6 a 12 meses, preferindo investir os recursos no próprio negócio. Ele também disse que, mesmo com a possível combinação da Paramount+ e HBO Max, a Netflix não espera ser diretamente prejudicada por eventuais restrições de fornecimento de conteúdo, já que empresas muito alavancadas tenderiam a vender mais para gerar caixa.

Ao comentar sobre alinhamento interno, Sarandos afirmou que ele e o co-CEO Greg Peters estavam em sintonia desde o início e que Reed Hastings, embora tradicionalmente avesso a grandes aquisições, apoiou a operação. Por fim, relatou que comemorou com uma taça de vinho com a equipe de Washington quando a disputa terminou e que mantém confiança no futuro da companhia.

Fim da reportagem.

Com informações de Infomoney