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O IPO da SpaceX está marcado para esta sexta-feira (12) e pode se tornar a maior abertura de capital já registrada. A empresa de Elon Musk, conhecida por foguetes e pela internet via satélite Starlink, espera captar US$ 75 bilhões vendendo ações a US$ 135 cada, o que colocaria a avaliação da companhia em cerca de US$ 1,75 trilhão.
Segundo a Bloomberg, a demanda de investidores já ultrapassou US$ 70 bilhões. Para contextualizar a magnitude da operação, especialistas citam ofertas históricas como a da Saudi Aramco, que levantou cerca de US$ 29 bilhões em 2019, e a do Alibaba, que captou aproximadamente US$ 25 bilhões em 2014, conforme Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
O que atrai os investidores
Analistas apontam que o interesse não se limita aos lançamentos espaciais. A avaliação do mercado incorpora uma combinação de ativos: liderança em transporte espacial, rede global de conectividade pela Starlink, presença em defesa, potencial de integração com inteligência artificial após a fusão com a xAI, e capacidade de executar projetos complexos em escala global, segundo Celso Brandão, CEO e fundador da AVEX AI LAB. Para ele, o investidor busca exposição a uma infraestrutura tecnológica com potencial de crescimento nas próximas décadas.
Os pilares da empresa
A fusão anunciada em fevereiro entre SpaceX e xAI reorganizou a apresentação da companhia em três segmentos: Espaço, Conectividade e Inteligência Artificial — incluindo a xAI, o sistema Grok e a rede social X, aponta João Crapina, analista da Suno Research. Brandão também destaca o posicionamento em defesa e segurança como um aspecto estratégico com relevância geopolítica.
Receitas, prejuízos e investimentos
Em 2025, a Starlink gerou US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 4,4 bilhões de lucro operacional. Os demais segmentos apresentaram resultados negativos: a divisão de Inteligência Artificial registrou prejuízo operacional de US$ 6,3 bilhões e o setor de foguetes teve prejuízo de US$ 657 milhões, impactado pelos custos de desenvolvimento da Starship, estimados em cerca de US$ 3 bilhões.
No consolidado, a SpaceX reportou US$ 18,7 bilhões em receita e um prejuízo operacional de US$ 2,6 bilhões. Embora a empresa tenha gerado US$ 6,8 bilhões de caixa operacional em 2025, reinvestiu US$ 20,7 bilhões, resultando em fluxo de caixa livre negativo de US$ 14 bilhões. Do total de capex, US$ 12,7 bilhões foram direcionados à área de IA, US$ 4,2 bilhões para Conectividade e US$ 3,8 bilhões para Espaço, segundo Crapina.
Marcelo Cabral, da Stratton Capital, ressalta que a estratégia de reinvestimento é intensa: no primeiro trimestre de 2026, a companhia aplicou US$ 16,7 bilhões em investimentos e gerou apenas US$ 1 bilhão em caixa operacional, cobrindo parte do déficit com captações no mercado.
Imagem: Divulgação/SpaceX
Vale a pena investir?
Especialistas lembram que, além da qualidade do negócio, o valuation é determinante. Praça afirma que o investidor da oferta estará apostando no crescimento de receitas e lucros por muitos anos, mas que expectativas elevadas aumentam o risco de volatilidade caso os resultados não correspondam.
Como investir a partir do Brasil
Na B3, a participação será oferecida por meio de um BDR da SpaceX que será lançado no mesmo dia do IPO. O código para negociação será SPCX34. A corretora informa que não será necessário pagar os US$ 135 por ação diretamente, porque o BDR terá paridade de 1:15 — cada ação será fracionada em 15 BDRs — o que deixa a estimativa de preço de abertura entre R$ 50 e R$ 70.
O BDR é um recibo que representa ações negociadas no exterior e já é usado para empresas como Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta, Nvidia, Tesla, Netflix, Disney, Coca‑Cola e McDonald’s. A B3 informou que, até o fim de abril, mais de 1 milhão de investidores possuíam BDRs em suas carteiras.
A oferta da SpaceX e o lançamento do BDR na B3 marcam um dos eventos mais relevantes do mercado de capitais global deste ano, com desdobramentos esperados para o financiamento contínuo de projetos em IA, conectividade e exploração espacial.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6