Steve Jobs, cofundador da Apple, recorria a um método pouco convencional para avaliar candidatos: o chamado “teste da cerveja”. Em vez de focar apenas em perguntas técnicas ou em respostas ensaiadas, Jobs buscava descobrir se gostaria de conviver com a pessoa fora do ambiente formal de trabalho.

De acordo com relatos, o executivo levava candidatos para um passeio informal ou iniciava conversas que não tinham relação direta com a função para observar como o entrevistado se comportava ao natural. O objetivo não era avaliar consumo de álcool, mas sim verificar se o profissional conseguia abandonar a postura corporativa e estabelecer uma conversa agradável.

Como funcionava o teste

Segundo matérias que citam relatos de quem acompanhou processos seletivos, Jobs fazia perguntas simples, como “O que você fez no verão passado?”, para desencadear um diálogo mais descontraído. Se a conversa se mostrasse forçada, monótona ou inexistente, isso era sinal negativo. A pergunta central que orientava sua avaliação era direta: “Eu tomaria uma cerveja com essa pessoa? Conversaria com ela de forma descontraída enquanto caminhamos?”

Instinto e experiência

Em entrevista à Fortune em 2008 — três anos antes de sua morte — Jobs afirmou que contratar era um processo que levava “muito a sério”, comparando a busca por bons profissionais a “procurar agulhas em um palheiro”. Na ocasião, ele disse ter entrevistado mais de 5 mil candidatos e ressaltou que competência técnica, isoladamente, não bastava. “Então, no fim, tudo acaba dependendo do seu instinto”, declarou, acrescentando: “Como me sinto em relação a essa pessoa? Como ela reage quando é desafiada?”

Outras abordagens de recrutamento

O “teste da cerveja” não é único entre líderes empresariais. Executivos de diferentes empresas adotaram métodos próprios para avaliar personalidade. Gary Shapiro, ex-CEO da Consumer Technology Association, relata perguntar quando o candidato poderia começar; respostas imediatas enquanto o candidato ainda está empregado são vistas como sinal de alerta. Há relatos de gestores que observam como um candidato trata a recepcionista, se limpam a xícara de café, ou até combinam situações informais como jantares e testes em que um garçom erra o pedido para ver a reação do avaliado.

Imagem: Ap

Executivos de empresas tradicionais, como a Chanel, também afirmam priorizar traços de personalidade nas contratações. Claire Isnard, ex-diretora de pessoas da grife, declarou que procuram personalidades adequadas e evitam candidatos com “egos inflados”. Para líderes como Andy Jassy, CEO da Amazon, atitude e postura podem ser determinantes para o sucesso profissional, especialmente no início da carreira.

O “teste da cerveja” de Jobs ilustra a preferência de alguns líderes por avaliar além do currículo, buscando sinais de convivência e atitude que entrevistas formais nem sempre revelam.

Com informações de Infomoney