TRANSMISSÃO: Record
A escalada de violência no Estreito de Ormuz tem provocado cancelamentos e suspensão de apólices de seguros para embarcações, elevarando custos do transporte marítimo e criando pressão sobre preços ao consumidor, segundo especialistas ouvidos.
O que está ocorrendo no Estreito de Ormuz?
Localizado entre Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é rota crucial por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás mundial. Desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o tráfego na região registrou forte redução e aumento de riscos à navegação.
Levantamento da Lloyd’s List Intelligence indica que, entre 1º e 11 de março de 2025, mais de 1.200 embarcações cruzaram o estreito; em um período recente comparável, foram registradas apenas 77 travessias. Além disso, a UKMTO relatou pelo menos 20 incidentes ou ataques a embarcações comerciais desde o início de março, e a Organização Marítima Internacional também confirmou múltiplos episódios envolvendo navios de transporte de energia.
Por que seguradoras estão cortando coberturas?
O aumento súbito do risco levou seguradoras a reverem e, em muitos casos, cancelar ou suspender coberturas relacionadas a riscos de guerra. A justificativa técnica é a maior probabilidade de perdas simultâneas e de grande monta — como danos a casco, carga, tripulação, poluição, bloqueio de rota e retenção de embarcações — que podem comprometer a capacidade financeira das companhias.
Especialistas apontam que os ataques transformaram um risco potencial em uma ameaça concreta e de alta severidade, combinando rapidez na escalada, relevância sistêmica da rota e concentração de ativos de alto valor, além de ameaças públicas à navegação.
Cancelamento de apólices: é quebra de contrato?
Segundo profissionais da área, o cancelamento de coberturas costuma estar previsto nas próprias apólices. Cláusulas padrão internacionais, como a Institute War Cancellation Clause, autorizam seguradoras a suspender ou encerrar proteção contra riscos de guerra mediante aviso prévio — frequentemente de sete dias ou 72 horas — desde que respeitados os prazos e mantenha a cobertura para riscos iniciados antes da data efetiva do cancelamento. Embarques realizados antes da vigência do aviso permanecem cobertos; os realizados após a data de cancelamento perdem a proteção para riscos de guerra.
Imagem: Divulgação
Impacto para o consumidor brasileiro
Embora o conflito esteja distante, o Brasil sente efeitos indiretos. Sem cobertura, navios tendem a não operar ou a fazê-lo apenas mediante renegociações onerosas, elevando custos logísticos. O aumento dos prêmios de seguro encarece o transporte marítimo e, consequentemente, o chamado “custo Brasil”, que pode se refletir no preço final ao consumidor.
Além disso, indicadores de preços do petróleo subiram. Em uma terça-feira identificada no levantamento como dia 17, o petróleo Dubai atingiu recorde de US$ 157,66 por carga com embarque em maio, superando o recorde histórico do Brent de US$ 147,50, registrado em 2008. A elevação dos preços de energia e a maior volatilidade pressionam inflação, elevam custos de sinistros e valores segurados, e repercutem em insumos como fertilizantes, energia e fretes, afetando alimentos e produtos importados.
Especialistas destacam que o efeito depende da duração e da intensidade do conflito: interrupções prolongadas comprometem suprimentos, ampliam pressões sobre preços e geram impactos em cadeias globais além da região do Golfo.
O movimento das seguradoras e a consequente majoração de custos logísticos têm, portanto, potencial para repassar desembolsos ao consumidor final, em especial por meio de combustíveis e bens que dependem de transporte e insumos afetados.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6