As três maiores companhias aéreas estatais da China — China Southern Airlines, Air China e China Eastern Airlines — estimam um prejuízo líquido conjunto entre 7,37 bilhões e 8,97 bilhões de yuans (US$ 1,09 bilhão a US$ 1,33 bilhão) no primeiro semestre de 2026, informou as empresas em comunicados às bolsas de Hong Kong e Xangai no dia 14 de julho.

O valor projetado representa piora em relação aos 4,86 bilhões de yuans (US$ 720 milhões) de prejuízo registrados no mesmo período de 2025 e contrasta com o resultado positivo do primeiro trimestre de 2026, quando as três empresas somaram lucro líquido de 4,82 bilhões de yuans (US$ 710 milhões). Com isso, as perdas estimadas para o segundo trimestre variam entre 12,2 bilhões (US$ 1,81 bilhão) e 13,8 bilhões de yuans (US$ 2,04 bilhões).

As companhias atribuem o desempenho principalmente ao aumento nos preços do querosene de aviação provocado pelo prolongamento da guerra no Oriente Médio. Apesar de terem ampliado voos para a Europa — aproveitando rotas mais curtas sobre a Rússia após ataques dos EUA e de Israel ao Irã —, a alta nos custos com combustível teria eliminado a vantagem operacional obtida com essas rotas.

A China Southern estimou o maior prejuízo entre as três, de 3,47 bilhões a 3,97 bilhões de yuans (US$ 510 milhões a US$ 590 milhões) no semestre, depois de reportar perdas de 4,95 bilhões a 5,45 bilhões de yuans (US$ 730 milhões a US$ 810 milhões) somente no segundo trimestre. A empresa declarou que a forte oscilação dos preços do combustível desde março, impulsionada por tensões geopolíticas, exerceu grande pressão sobre o setor.

A Air China projeta prejuízo líquido de 2,1 bilhões a 2,6 bilhões de yuans (US$ 310 milhões a US$ 390 milhões) no semestre. Após registrar lucro de 1,71 bilhão de yuans (US$ 250 milhões) no primeiro trimestre, a empresa estima perdas de 3,81 bilhões a 4,31 bilhões de yuans (US$ 560 milhões a US$ 640 milhões) no segundo trimestre, citando elevação dos custos de combustível como fator-chave.

A China Eastern prevê prejuízo de 2,4 bilhões de yuans (US$ 360 milhões) no semestre, depois de perdas superiores a 4 bilhões de yuans (US$ 590 milhões) no segundo trimestre, também vinculadas ao aumento dos custos de querosene.

Segundo Parash Jain, chefe global de pesquisa de transporte e logística do HSBC, as perdas seriam maiores sem ganhos cambiais decorrentes da desvalorização do dólar frente ao yuan; o banco estima que as companhias tiveram cerca de 1,2 bilhão de yuans (US$ 180 milhões) em ganhos cambiais apenas no segundo trimestre. Jain apontou ainda que combinação de demanda mais fraca, tarifas menores e custos elevados de combustível deve tornar o terceiro trimestre desafiador.

Imagem: Reprodução/Site Air China

As grandes estatais seguem reforçando capital com apoio das controladoras: a China Southern recebeu aprovação para captar até 15 bilhões de yuans (US$ 2,22 bilhões) via emissão de ações; a Air China levantou 20 bilhões de yuans (US$ 2,96 bilhões) em junho e anunciou aporte superior a 6 bilhões de yuans (US$ 890 milhões) na Shenzhen Airlines, por meio de aeronaves Airbus A350 e recursos em caixa. Apesar das dificuldades das maiores, companhias menores ainda projetam lucro no semestre, embora em forte retração — a China Express Airlines estima lucro líquido entre 35 milhões e 50 milhões de yuans (US$ 5,2 milhões a US$ 7,4 milhões), queda de 80% a 86%; a Juneyao Airlines projeta lucro entre 140 milhões e 210 milhões de yuans (US$ 20,7 milhões a US$ 31,1 milhões), recuo de 58% a 72%.

O analista do HSBC recomenda manutenção das ações das três grandes listadas em Hong Kong e Xangai, ao passo que vê a Cathay Pacific como potencial oportunidade de compra, citando expectativa de demanda por viagens premium, receitas de carga e queda nos custos de combustível no segundo semestre. A Cathay deve também registrar ganho contábil de 1,4 bilhão de dólares de Hong Kong (US$ 180 milhões) com a diluição de sua participação na Air China após o aumento de capital recente.

As empresas divulgaram suas estimativas às bolsas de Hong Kong e Xangai em 14 de julho de 2026.

Com informações de Valor.globo