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Presidente dos EUA considera ação militar escalonada

O presidente Donald Trump informou a assessores que, caso a diplomacia ou um ataque inicial dos Estados Unidos não obrigue o Irã a abandonar o programa nuclear, ele avaliará uma ofensiva mais ampla nos próximos meses com a meta de retirar líderes do poder, disseram fontes a par das discussões internas do governo.

Negociadores dos Estados Unidos e do Irã estão previstos para se reunir em Genebra na quinta-feira em uma tentativa de última hora para evitar conflito armado. Ao mesmo tempo, Trump e sua equipe vêm estudando opções caso as conversas fracassem, e assessores afirmam que o presidente tem se inclinado à realização de um ataque inicial nos próximos dias como demonstração de força à liderança iraniana.

Os possíveis alvos em análise incluem o quartel‑general da Guarda Revolucionária Islâmica, instalações nucleares e componentes do programa de mísseis balísticos do Irã. Se tais ações não forem suficientes, Trump disse a assessores que deixaria aberta a possibilidade de um ataque ainda neste ano com objetivo de enfraquecer ou remover o aiatolá Ali Khamenei do poder.

Não há decisão final. Nos bastidores, segue em discussão uma proposta alternativa que poderia limitar o programa nuclear iraniano a um nível muito restrito, exclusivamente para pesquisa e fins médicos, segundo autoridades ouvidas. A iniciativa, atribuída a Rafael Grossi, diretor‑geral da Agência Internacional de Energia Atômica, permitiria produção reduzida de combustível nuclear para uso médico no Reator de Pesquisa de Teerã.

Dois grupos de porta‑aviões, além de dezenas de caças, bombardeiros e aviões‑tanque, estão posicionados a uma distância de ataque do Irã, conforme relatado pelas fontes. Trump debateu planos na Sala de Situação da Casa Branca na quarta‑feira com vice‑presidente J. D. Vance; o secretário de Estado Marco Rubio; o general Dan Caine, chefe do Estado‑Maior Conjunto; o diretor da CIA, John Ratcliffe; e a chefe de gabinete Susie Wiles.

Durante a reunião, Caine explicou opções operacionais das Forças Armadas e Ratcliffe descreveu a situação no terreno; nenhum dos dois ofereceu garantias de sucesso semelhantes às que, segundo relatos, Caine deu a Trump em outra operação recente para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Vance questionou a avaliação dos riscos e pediu mais detalhes sobre a viabilidade das ações propostas.

O governo já considerou, em etapas anteriores, incursões de forças especiais para destruir instalações nucleares ou de mísseis — inclusive instalações enterradas profundamente —, mas autoridades afirmaram que planos de operação em solo foram, por ora, deixados de lado devido ao alto risco e à necessidade de permanência prolongada das tropas.

Imagem: Divulgação

Representantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea expressaram preocupação com o impacto de uma guerra prolongada, ou mesmo da preparação contínua para esse conflito, sobre a prontidão de navios, sistemas antimísseis Patriot — descritos como escassos — e aeronaves de transporte e vigilância já sobrecarregadas.

A Casa Branca recusou comentar o processo decisório. “A mídia pode continuar especulando sobre o que o presidente está pensando o quanto quiser, mas apenas o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer”, disse Anna Kelly, porta‑voz da Casa Branca, em comunicado.





Nos canais públicos, a orientação de Trump tem sido rígida. Steve Witkoff, enviado especial do presidente, afirmou à Fox News que a diretriz dada a ele e a Jared Kushner é buscar “enriquecimento zero”. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi declarou ao programa “Face the Nation”, da CBS, que Teerã não abrirá mão do que considera seu direito de produzir combustível nuclear segundo o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

A possibilidade de um acordo intermediário permanece incerta: uma proposta permitida pela AIEA para produção limitada de combustível médico no Reator de Pesquisa de Teerã é debatida por ambas as partes, mas não há garantia de concordância nem de que Washington aceitaria qualquer produção diante da exigência pública de “enriquecimento zero”.

As discussões seguirão nos próximos dias, com as negociações em Genebra e a avaliação de alternativas diplomáticas e militares por parte do governo americano.

Com informações de Infomoney