Presidente dos EUA sinaliza ceticismo em relação ao plano iraniano para encerrar confrontos

O presidente Donald Trump afirmou neste fim de semana que dificilmente aceitará a mais recente proposta de paz apresentada pelo Irã, enquanto esforços diplomáticos para encerrar um conflito que já completa três meses seguem em ritmo acelerado, mas incertos.

De acordo com reportagens do portal Axios, Teerã teria oferecido um cronograma de 30 dias para negociar um acordo que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim tanto do bloqueio naval liderado pelos Estados Unidos quanto dos combates no território iraniano e no Líbano. Segundo o mesmo relato, uma segunda etapa de conversas se concentraria posteriormente no programa nuclear iraniano.

Contudo, há diferenças nos relatos sobre o teor da proposta. A agência semioficial Tasnim noticiou que o plano exige a extinção total do conflito em 30 dias e garantias contra novos ataques, sem mencionar de imediato a questão nuclear.

O documento iraniano incluiria demandas antigas do governo de Teerã, como a retirada de forças estadunidenses das imediações do país, o fim do bloqueio marítimo e das sanções, além do pagamento de reparações de guerra.

Neste domingo (3), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que Teerã recebeu por meio do Paquistão — que atua como intermediário — a resposta americana ao seu plano de 14 pontos, e que o texto está em análise pelas autoridades iranianas.

Após tomar conhecimento do conteúdo do acordo, Trump usou a rede social Truth Social para manifestar ceticismo, afirmando que dificilmente aceitará o plano por entender que o Irã não pagou um preço suficiente pelo que causou à humanidade nos últimos 47 anos. O presidente também afirmou não descartar a retomada de ataques a alvos iranianos caso os líderes do país não adotem comportamento considerado aceitável.

A falta de avanços desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos no Oriente Médio e desencadeou uma crise energética global. O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente — elevou os preços dos combustíveis e acendeu preocupações políticas para os republicanos antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Imagem: Divulgação

Como medida simbólica, países da OPEP+ acordaram um aumento modesto na produção de 188 mil barris por dia para junho, medida que analistas consideram inócua enquanto a passagem por Ormuz permanecer fechada. Em paralelo, o Irã começou a reduzir sua própria produção à medida que seus reservatórios de armazenamento chegam à capacidade.

No plano diplomático, o chanceler Abbas Araghchi disse que o Irã está disposto a negociar, condicionando o processo ao fim do que classificou como exigências excessivas e retórica ameaçadora por parte dos Estados Unidos, enquanto as forças iranianas mantêm estado de alerta máximo.

No fechamento da última semana, o barril do tipo Brent era cotado perto de US$ 108, e o preço da gasolina nos Estados Unidos já ultrapassava US$ 4 por galão.

Com informações de Investnews