A União Europeia decidiu começar a aplicar de forma provisória o acordo de livre comércio com o Mercosul depois que Argentina e Uruguai concluíram a ratificação do tratado em seus parlamentos. A iniciativa foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e representa um avanço na implementação de um pacto assinado em 17 de janeiro de 2026.

O acordo, fruto de mais de 25 anos de negociações, estabelece a redução progressiva de tarifas sobre a maior parte das trocas comerciais entre os países da UE e os membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — configurando uma das maiores áreas de livre comércio do planeta.

No Uruguai, o parlamento aprovou a ratificação por ampla maioria. Na Argentina, o Senado endossou o tratado com 69 votos favoráveis e 3 contrários, após aprovação prévia na Câmara dos Deputados.

Com as aprovações de Buenos Aires e Montevidéu, a Comissão Europeia recebeu do Conselho da UE autorização para aplicar o acordo de modo provisório, mesmo sem a ratificação final pelo Parlamento Europeu, que ainda não concluiu sua tramitação e solicitou uma análise jurídica à Corte de Justiça da União Europeia.

A aplicação provisória possibilitará a implementação gradativa de medidas previstas no pacto, como a eliminação de tarifas sobre exportações de bens industriais e agrícolas entre as partes, reduzindo barreiras comerciais antes da vigência plena.

Projeções de analistas europeus apontam que o acordo poderá abranger mais de 700 milhões de consumidores e corresponder a cerca de 25% do produto interno bruto global, ampliando as oportunidades de comércio entre os blocos.

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Entretanto, a decisão não é unânime. Países como a França e diversos membros do Parlamento Europeu manifestaram forte oposição, citando riscos para setores sensíveis, em especial a agricultura europeia diante da concorrência de produtos sul-americanos.

No âmbito do Mercosul, Brasil e Paraguai ainda estão em processo interno de ratificação e precisam concluir seus procedimentos para que o acordo entre em vigor de forma definitiva. Enquanto isso, a aplicação provisória serve como mecanismo para adiantar os benefícios comerciais projetados pelos dois blocos em um contexto de desafios às cadeias de suprimento e pressão geopolítica.

O movimento reafirma a intenção das partes de estreitar laços econômicos, apesar de controvérsias e etapas pendentes antes da vigência plena do tratado.

Com informações de Portalin