A Unilever está avaliando a separação de sua área de alimentos como parte de um processo para enxugar o portfólio e reforçar o foco em beleza, cuidados pessoais e bem-estar, disseram pessoas a par das discussões. A companhia anglo-holandesa, proprietária de marcas como Hellmann’s, iniciou conversas com assessores enquanto considera alternativas estratégicas para o negócio de alimentos.
Entre as opções em análise estão a listagem do ramo de alimentos como uma unidade independente ou a manutenção de algumas marcas de destaque, com a venda ou desmembramento das demais. As fontes afirmaram que a empresa ainda está em fase preliminar e que não há garantia de que qualquer operação seja executada; uma eventual transação também pode não ocorrer antes de 2027.
Fontes consultadas estimam que o negócio de alimentos poderia ser avaliado em dezenas de bilhões de dólares em uma eventual operação. A Unilever ainda não decidiu de forma definitiva e pode escolher manter sua estrutura atual ou adotar outras soluções, segundo as mesmas pessoas. Um porta-voz da companhia preferiu não comentar.
As ações da Unilever praticamente não registraram variação nas negociações em Londres neste ano, conferindo ao grupo um valor de mercado aproximado de £107 bilhões (cerca de R$ 700 bilhões). Entre as marcas de alimentos mencionadas pela empresa estão os condimentos Colman’s, os caldos Knorr, a mostarda dijon Maille, o macarrão instantâneo Namdong, a pasta Marmite e a maionese Hellmann’s.
No comando da Unilever, o CEO Fernando Fernandez tem promovido uma transformação da empresa, deslocando a prioridade dos alimentos para categorias de beleza e cuidados pessoais. Em 2025, a companhia desmembrou sua divisão de sorvetes, a Magnum Ice Cream, mantendo uma participação próxima de 20% que deverá ser vendida ao longo dos próximos anos.
Ao longo da última década, a Unilever já se desfez de diversas operações de alimentos, incluindo sua unidade global de margarinas e cremes vegetais (que incluía a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além das marcas Graze e The Vegetarian Butcher. A empresa ainda identifica entre €1 bilhão (US$ 1,2 bilhão) e €1,5 bilhão em marcas locais de alimentos passíveis de venda.
Segundo Fernandez, Hellmann’s e Knorr respondem por cerca de 60% das vendas do segmento de alimentos, participação que deve subir para 70%–75% após a alienação das marcas locais. Questionado em dezembro sobre a possibilidade de se desfazer de todo o negócio de alimentos, o CEO não descartou a alternativa, mas ressaltou que a Unilever vem apresentando desempenho superior ao do setor.
Imagem: Ap
O ambiente competitivo pesa sobre grandes grupos de alimentos, como Unilever e rival Nestlé, diante de consumidores mais sensíveis a preço e do avanço de marcas próprias. Além disso, a difusão de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 pode reduzir o consumo em categorias alimentares mais calóricas. Por outro lado, a área de beleza tem sido um motor de crescimento, com maior gasto de diferentes faixas etárias em cuidados com a pele e fragrâncias. Fernandez tem destacado marcas como Dove e o suplemento Liquid IV em seu plano de reorientação.
Fernandez assumiu a posição de CEO há cerca de um ano, sucedendo Hein Schumacher. O conselho esperava que o ex-diretor financeiro promovesse mudanças em ritmo mais acelerado.
© 2026 Bloomberg L.P.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6