A trading suíça Trafigura e a gestora Mubadala Capital, ligada ao fundo soberano de Abu Dhabi, estão em estágio avançado da venda do Porto Sudeste, operação estimada em cerca de US$ 5 bilhões. Entre os compradores em negociação figura um consórcio encabeçado pela Vale, com participação da siderúrgica Gerdau e da australiana M Resources.
Fontes ouvidas pela Bloomberg indicam que o leque de interessados vai além do agrupamento brasileiro, abrangendo investidores chineses, fundos soberanos e empresas multinacionais de infraestrutura. O processo já superou a fase inicial de propostas não vinculantes, segundo as mesmas fontes.
Procurados para comentar a transação, o Porto Sudeste, a Vale, a Trafigura, a Mubadala e a Gerdau não se manifestaram; a M Resources também não retornou ao pedido de declaração.
Pacote com mina e porto
A venda envolve dois ativos comercializados em conjunto: o terminal portuário localizado em Itaguaí, na Baía de Sepetiba (Rio de Janeiro), e a Mineração Morro do Ipê, projeto de minério de ferro em Minas Gerais. Em outubro do ano passado, Trafigura e Mubadala contrataram os bancos Goldman Sachs e UBS BB para assessorar a operação, que tem previsão de ser concluída em 2026.
O Porto Sudeste funciona como um ponto logístico relevante para exportações de mineradoras brasileiras rumo ao mercado asiático, com destaque para o Sudeste Asiático, e está ligado por ferrovia ao quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, principal área produtora do país.
Em 2025, o terminal registrou embarques recordes de 27,8 milhões de toneladas, ante 21,9 milhões em 2024. Ainda assim, a movimentação permanece bem abaixo da capacidade instalada, estimada em cerca de 50 milhões de toneladas, conforme o último balanço divulgado pela companhia.
Imagem: Divulgação
Para a Vale, a aquisição do terminal tem caráter estratégico mesmo com a existência de outros pontos de embarque próprios no Brasil: controlar o porto impediria que concorrentes dependentes do terminal utilizassem a infraestrutura para escoar produção.
O interesse da Vale e de outras companhias por esse ativo não é novidade. Em 2013, durante o processo inicial de venda do controle da MMX, Vale, CSN, Gerdau e Usiminas chegaram a avaliar uma oferta conjunta para evitar que o ativo ficasse com uma trading internacional. Na ocasião, Trafigura e Mubadala levaram o controle em 2014, em meio ao colapso do conglomerado de Eike Batista.
A negociação segue em andamento e as partes envolvidas continuam em tratativas com potenciais compradores.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6