TRANSMISSÃO: Record
A Renner identificou impacto direto da popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” nas vendas de moda esportiva, que figura entre as categorias com maior avanço no portfólio da varejista. O movimento ocorre no contexto de maior atenção da população a saúde e bem-estar, segundo avaliação da própria companhia.
Em entrevista ao InvestNews, o CEO Fabio Faccio afirmou que a moda esportiva tem ganhado relevância, embora a empresa não divulgue a participação por categoria. Ele também destacou um efeito secundário: a renovação do guarda-roupa quando clientes mudam de tamanho. Para atender essa demanda, a Renner vem ajustando, desde 2024, a grade de tamanhos oferecida nas lojas.
O tema ganha força com a expectativa de ampliação do mercado de medicamentos à base de GLP-1 no Brasil. A patente da semaglutida, ingrediente do Ozempic, expirou em 20 de março, e a Anvisa avalia pelo menos 14 pedidos de registro de novos produtos com a substância. As projeções citadas pela empresa apontam para redução de preços entre 35% e 50% nos próximos dois anos, em um país onde mais da metade dos adultos tem obesidade ou sobrepeso.
Pesquisa da PwC com cerca de 3 mil consumidores indica que um quarto dos usuários de GLP-1 passou a comprar roupas em tamanhos menores, e quase um terço relatou maior satisfação corporal. Para varejistas de moda, isso tende a gerar ciclos mais frequentes de troca de guarda-roupa e aumento das visitas às lojas físicas, dado que clientes precisam provar peças para confirmar tamanho.
Resultados financeiros e desempenho operacional
Nos resultados de 2025, a Renner registrou lucro líquido anual recorde de R$ 1,5 bilhão, alta de 22% ante 2024, e lucro por ação de R$ 1,44, crescimento de 27% e também recorde. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 553 milhões, avanço de 13% na comparação anual. Apesar de um trimestre afetado por temperaturas atípicas e consumo mais pressionado, a receita de varejo no período cresceu 4,3%, com vendas em mesmas lojas (SSS) de 3,3%.
No acumulado do ano, a receita de varejo subiu 9,2%, com SSS de 8,1%, superando o crescimento de 4,9% do mercado medido pelo IBGE. A receita de vestuário cresceu 10,2%. A margem bruta de varejo fechou 2025 em 56,1%, maior nível em seis anos, com avanço de 0,7 ponto percentual; no trimestre, foi de 56,5%.
O EBITDA ajustado alcançou R$ 3,2 bilhões no ano (+20%) e R$ 1,1 bilhão no trimestre (+9%), ambos recordes. A venda por metro quadrado ficou em R$ 17,2 mil no ano, patamar que a empresa indica ser cerca de 45% acima de concorrentes diretos.
Expansão de lojas e investimentos
Para 2026, o grupo planeja abrir entre 50 e 60 lojas, praticamente o dobro das 34 inauguradas em 2025. A marca Renner deve responder por 22 a 30 unidades, Youcom por 23 a 25 e Camicado por cerca de 5. O foco será a entrada em cidades onde a companhia ainda não atua, muitas com até 100 mil habitantes. A Youcom encerrou 2025 com 152 lojas, ante 443 da Renner, e tem potencial de expansão expressiva, segundo a empresa.
Imagem: Divulgação
O orçamento de investimentos para 2026 foi fixado em R$ 1,05 bilhão, acima dos R$ 858 milhões aplicados em 2025.
Financeira Realize e projeções
Na financeira Realize, a estratégia permanece conservadora diante de juros elevados e endividamento das famílias, com concessão de crédito mais seletiva nos últimos dois a três anos. O resultado de serviços financeiros somou R$ 452 milhões no ano; sem os efeitos da Resolução 4.966 do Banco Central, o valor foi de R$ 282 milhões, alta de 68% sobre 2024. A base ativa da Realize terminou o ano em 4,7 milhões de clientes, estável.
O tíquete médio dos cartões próprios foi de R$ 298 no ano, cerca de 40% acima do ticket médio total da companhia, e clientes da Realize gastam, em média, três vezes mais com o grupo do que os demais consumidores.
Para 2026, a Renner projeta crescimento de receita de varejo de 9% a 13% e mantém a meta de atingir 20% de retorno sobre o capital investido (ROIC) até o fim da década — indicador que encerrou 2025 em 14,7%, com avanço de 2,3 pontos percentuais. A companhia fechou o ano com R$ 1,5 bilhão em caixa líquido e devolveu R$ 1,8 bilhão aos acionistas entre juros sobre capital próprio e recompra de ações, equivalente a cerca de 120% do lucro do exercício. Em dezembro, anunciou novo programa de recompra de até 75 milhões de ações.
O CEO Fabio Faccio reconhece incertezas para o ano — incluindo eleição, Copa do Mundo, conflito internacional e o ritmo de queda dos juros —, mas ressalta que investimentos em ferramentas, competências e eficiência realizados nos anos anteriores dão condições à empresa de crescer mesmo em cenários adversos.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6