A mineradora Vale reportou nesta quinta-feira (12) um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões (R$ 19,78 bilhões) no quarto trimestre de 2025, em comparação com perda de US$ 694 milhões (R$ 3,37 bilhões) no mesmo período de 2024. O resultado negativo foi puxado por baixas contábeis expressivas, mesmo com desempenho robusto nas vendas de minério de ferro e cobre.

De acordo com o balanço, o principal impacto veio de “impairments” de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,22 bilhões) em ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, após revisão das premissas de preço de longo prazo para o metal. Além disso, a companhia reconheceu uma baixa de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,58 bilhões) relacionada a imposto diferido de subsidiárias.

Lucro proforma e Ebitda ajustado

Excluídos itens não recorrentes, como as baixas contábeis, o lucro líquido proforma alcançou US$ 1,5 bilhão (R$ 7,81 bilhões) no período, alta de 68% em relação ao quarto trimestre de 2024. Esse crescimento foi sustentado pelo aumento do Ebitda proforma e pela avaliação favorável de swaps cambiais.

No entanto, ganhos com vendas foram parcialmente neutralizados por provisões adicionais referentes à Samarco e pela ausência de ganhos extraordinários registrados no quarto trimestre de 2024.

O Ebitda ajustado somou US$ 4,6 bilhões (R$ 23,95 bilhões) entre outubro e dezembro, contra US$ 3,8 bilhões (R$ 19,78 bilhões) no mesmo intervalo de 2024, beneficiado por maiores volumes comercializados e por preços mais altos de minério de ferro e cobre, além de receitas de subprodutos e ganhos de eficiência operacional.

Receita, produção e endividamento

A receita líquida de vendas chegou a US$ 11,06 bilhões, representando crescimento de 9% frente ao quarto trimestre de 2024. A produção totalizou 90,4 milhões de toneladas, avanço de 6%, impulsionada pelo desempenho da mina Brucutu e pelo ramp-up dos projetos Capanema e VGR1.

Imagem: Getty

Ao fim de dezembro, a dívida líquida estava em US$ 11,2 bilhões (R$ 58,30 bilhões), alta de 7% sobre o mesmo período do ano anterior. Já a dívida líquida expandida, que inclui provisões de Brumadinho, Samarco e swaps cambiais, somou US$ 15,6 bilhões (R$ 81,21 bilhões), recuo de 5% em relação a dezembro de 2024, devido à maior geração de caixa livre.

No acumulado de 2025, a Vale apurou lucro líquido de US$ 2,35 bilhões (R$ 12,23 bilhões), retração de 62% ano a ano, enquanto o lucro líquido proforma cresceu 28%, a US$ 7,8 bilhões (R$ 40,60 bilhões). A produção de minério de ferro aumentou 2,6%, totalizando 336,1 milhões de toneladas, superando pela primeira vez desde 2018 o volume da Rio Tinto em Pilbara.

Em nota, o presidente Gustavo Pimenta destacou que, em 2025, a companhia “atingiu ou superou todos os guidances”, com recordes de produção de minério de ferro e cobre, e avanço de dois dígitos na produção de níquel, sustentados por maior confiabilidade dos ativos e pelo ramp-up de projetos como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma.

Com informações de Forbes