O Vaticano iniciou uma nova etapa do projeto Borgo Laudato Si com a produção do primeiro vinho proveniente do vinhedo instalado em Castel Gandolfo, residência de verão papal nos arredores de Roma. A iniciativa, inaugurada em 2025, visa demonstrar práticas de sustentabilidade e inclusão social, em vez de operar como uma vinícola comercial.

A primeira safra resultou em cerca de 5 mil garrafas de Cabernet Sauvignon. O empreendimento ocupa aproximadamente dois hectares dos jardins papais e foi concebido para aplicar princípios da encíclica Laudato Si, publicada em 2015 pelo Papa Francisco. A instalação do Borgo Laudato Si foi atribuída à inauguração realizada pelo Papa Leão XIV em 2025.

Tecnologia, pesquisa e inclusão social

O desenvolvimento do vinhedo contou com a colaboração técnica da Universidade de Udine e adota métodos de cultivo que buscam reduzir a aplicação de defensivos agrícolas. As práticas incluem manejo regenerativo do solo e sistemas de irrigação inteligentes. A vinificação está a cargo do enólogo italiano Riccardo Cotarella.

Além do foco ambiental, o projeto tem componente social relevante: o cultivo das cerca de oito mil videiras envolve refugiados, migrantes e jovens em situação de vulnerabilidade. Essas pessoas recebem treinamento em técnicas de agricultura sustentável, em hospitalidade e em manejo rural, inserindo o projeto numa lógica de economia circular e formação profissional.

Quando o vinhedo alcançar sua capacidade plena, a expectativa é produzir cerca de 20 mil garrafas por safra, destinadas a eventos institucionais do Vaticano e a visitantes do Borgo Laudato Si.

Vaticano transforma vinhedo de Castel Gandolfo em laboratório de práticas sustentáveis

Imagem: Divulgação

Tendência que também avança no Ceará

Em outro contexto e em escala diferente, iniciativas no Ceará têm seguido orientações semelhantes de sustentabilidade, educação ambiental e inclusão social. Recentemente, a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e a Prefeitura de Fortaleza inauguraram hortas hidropônicas voltadas à segurança alimentar, educação ambiental e formação cidadã.

As ações no Ceará foram conduzidas pelas primeiras-damas Tainah Marinho Aldigueri, da Alece, e Cristiane Leitão, de Fortaleza, em parceria com a Solar Coca-Cola. Embora distintas em objetivos e dimensão, essas iniciativas refletem uma tendência global de transformar espaços agrícolas em ambientes de aprendizagem, conservação e desenvolvimento humano, tema que ganha reforço com a experiência de Castel Gandolfo.

Com informações de Portalin