Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) apontam que o conjunto de luas de Netuno foi profundamente alterado por um acontecimento violento ocorrido há bilhões de anos, segundo estudo publicado na revista Science Advances.
O que foi observado
Cientistas que analisaram imagens e espectros obtidos pelo Webb identificaram minerais argilosos ricos em magnésio nas superfícies de três pequenas luas internas de Netuno — Proteus, Larissa e Galateia — além de sinais nos anéis internos do planeta. Esses compostos são típicos de ambientes onde rochas interagiram por longos períodos com água líquida, situação que dificilmente ocorreria em corpos tão pequenos e frios.
Como os minerais explicam o passado
De acordo com os autores, a presença dessas argilas sugere que o material veio do interior de um corpo muito maior do que as atuais luas. O cenário proposto é o de que antigos satélites de Netuno foram despedaçados, expondo seus mantos e núcleos; fragmentos desse processo teriam então se reacoplado, formando as atuais pequenas luas e os anéis que observamos hoje.
Por que Tritão é o principal suspeito
Os pesquisadores indicam Tritão, a maior lua de Netuno, como o provável gatilho dessa transformação. A hipótese é que Tritão tenha se originado no Cinturão de Kuiper — a mesma região onde está Plutão — e sido capturada pela gravidade de Netuno durante a migração dos gigantes gasosos, no primeiro bilhão de anos do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos.
Após a captura, a interação gravitacional de Tritão teria desestabilizado as órbitas das luas originais, levando a um ciclo de colisões que destruiu aqueles corpos e permitiu a formação posterior das pequenas luas internas e dos anéis. A órbita retrógrada de Tritão — única entre as grandes luas do Sistema Solar — e o fato de concentrar mais de 99% da massa total do sistema de satélites de Netuno reforçam a ideia de que ele foi um intruso que dominou o sistema.
Imagem: Divulgação
Hipótese alternativa e sobreviventes
Os autores também consideram, embora com menor probabilidade, que um objeto do tamanho de Plutão tenha passado perto demais de Netuno e sido fragmentado pelas forças gravitacionais do planeta, espalhando destroços que deram origem às estruturas atuais. Outro estudo citado aponta que Nereida, uma lua mais externa, pode ser a única sobrevivente entre os satélites originais.
O trabalho demonstra como a detecção de minerais específicos em pequenos corpos pode revelar eventos dinâmicos do passado e oferecer acesso direto a material que, em condições normais, permaneceria escondido sob camadas de gelo.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6