A xAI, de Elon Musk, pediu no início deste ano que funcionários entregassem suas declarações de imposto de renda para usar como dados de treinamento do chatbot Grok, oferecendo um pagamento de US$ 420 como incentivo — valor que, segundo relatos internos, ainda não foi pago dois meses após a coleta.

Segundo mensagens internas obtidas pela Bloomberg News, a iniciativa teve como objetivo aprimorar a capacidade do Grok em responder a questões tributárias antes do prazo de 15 de abril nos Estados Unidos. A xAI buscava competir por usuários que já recorrem a chatbots rivais, como o Claude, da Anthropic, e o ChatGPT, da OpenAI, para tarefas contábeis.

Em março, gestores da empresa propuseram o pagamento em dinheiro em troca do envio das declarações completas, acompanhadas de documentos e materiais de apoio do ano corrente ou do anterior. Além do incentivo financeiro, os voluntários foram prometidos acesso antecipado ao X Money, a plataforma de pagamentos que Musk pretende integrar à rede social X. O valor oferecido — US$ 420 — é um número que Musk costuma usar em referências públicas.

O convite foi depois ampliado para incluir familiares e amigos de funcionários, desde que tivessem utilizado um contador em vez de IA para preparar suas declarações. Também houve discussões sobre contratar contadores e anotadores de dados para treinar o Grok em temas fiscais. Em paralelo, Musk chegou a incentivar usuários online a obter reembolsos maiores usando o chatbot.

Dois meses após o envio dos dados financeiros pessoais, o pagamento prometido ainda não havia sido efetuado, segundo as comunicações internas analisadas. Funcionários que cobraram a remuneração foram informados de que o responsável pelo programa havia deixado a empresa. A xAI não comentou quando procurada por pedidos de esclarecimento.

O episódio agravou o clima já fragilizado dentro da xAI, que passou por demissões e sucessivas trocas na gestão desde o começo do ano. A empresa pertence hoje à SpaceX, e a operação tem sido pressionada por um ritmo acelerado de trabalho enquanto Musk procura aprimorar produtos e o negócio antes da abertura de capital da SpaceX, prevista ainda para este ano. A xAI também tenta alcançar concorrentes que desenvolveram chatbots com aplicações específicas, como modelagem financeira.

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Funcionários têm sido convocados para fornecer dados para diversos projetos, acordos com outras companhias foram firmados — como com a Cursor, na área de código — e lideranças da própria SpaceX passaram a assumir funções de gestão na xAI. Essa rotatividade e as mudanças frequentes deixaram iniciativas como o programa de pagamento por dados fiscais sem um responsável claro.

O uso de mão de obra interna para obter dados de treinamento não é novidade na xAI. No fim do ano passado, a empresa pediu que empregados gravassem suas telas e alimentassem o Grok com suas atividades para um projeto apelidado de Macrohard, com a promessa de bônus de 20% aos participantes. Esses pagamentos foram eventualmente feitos, mas sofreram atraso, segundo fontes. O Macrohard transformou-se em uma joint venture com a Tesla, e Ashok Elluswamy, vice-presidente de software da montadora, está recrutando pessoal para o projeto.

Com informações de Infomoney