A aliança Opep+ concordou em retomar o aumento da produção de petróleo em abril, adicionando 206 mil barris por dia à oferta global, informou o grupo em comunicado. A medida ocorre em meio a tensões no Oriente Médio provocadas por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que elevaram o risco de novas pressões sobre os preços do barril.

O incremento anunciado por integrantes-chave, liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia — que haviam interrompido uma série de elevações no primeiro trimestre — supera o ritmo do quarto trimestre, quando os acréscimos mensais foram de 137 mil barris por dia.

O aumento de abril acontece em um contexto de agravamento do conflito regional, citado no comunicado com menções à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, a ameaças à produção de petróleo na região e a perturbações no tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota vital para a exportação de petróleo de alguns membros da Opep+.

A Bloomberg havia noticiado que o grupo consideraria um aumento ainda maior da oferta em reunião realizada no domingo, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã. Além da decisão formal sobre cotas, países influentes do bloco já vinham ampliando embarques: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a elevar as exportações no mês anterior, repetindo movimento visto durante ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas em junho passado.

Especialistas alertam que a continuidade desse ritmo depende da situação no Estreito de Ormuz, onde a circulação de navios já apresentou forte desaceleração conforme o conflito se desenrolou.

Na semana passada, os preços do petróleo subiram para US$ 73 por barril em Londres, máxima de sete meses, refletindo receios sobre reforço militar dos EUA e várias interrupções de produção que abalaram um mercado que vinha caminhando para um superávit significativo.

Colchão de produção

Segundo a Agência Internacional de Energia, a capacidade ociosa do grupo concentra-se principalmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, que juntas possuem cerca de 2,5 milhões de barris por dia — equivalendo a menos de 3% da oferta mundial — valor que alguns analistas dizem poder estar superestimado.

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“Tudo o que você coloca em produção agora deixa menos de reserva”, afirmou Helima Croft, chefe de estratégia para mercados de commodities da RBC Capital Markets.

No início de 2026, grandes traders e instituições já projetavam um excesso relevante de petróleo, diante do avanço da produção nas Américas em ritmo superior ao do crescimento da demanda. Esse cenário foi alterado por recentes interrupções de produção, que afetaram desde produtores da América do Norte até o Cazaquistão, por sanções que deixaram cargas da Rússia e do Irã inacessíveis a muitos compradores e pela China, que continuou absorvendo parte do excedente para seus estoques estratégicos.

Para Riad, ampliar a produção pode também estar alinhado a objetivos de longo prazo, como a recuperação de participação no mercado mundial que havia sido cedida a concorrentes, incluindo produtores de xisto dos Estados Unidos. Analistas apontam ainda que a escolha de acelerar a oferta considerou apelos do presidente dos EUA, Donald Trump, para reduzir o custo dos combustíveis aos consumidores americanos.

A notícia segue sem desdobramentos adicionais por ora, enquanto o impacto do conflito e a capacidade de os grandes produtores manterem aumentos contínuos na oferta permanecem pontos de atenção para o mercado.

Com informações de Investnews