O mercado de entretenimento ao vivo no Brasil, avaliado entre R$ 130 bilhões e R$ 150 bilhões por ano, tem atraído golpes cada vez mais sofisticados na venda de ingressos online. Uma pesquisa da consultoria de cibersegurança Redbelt Security apontou a criação de 778 domínios falsos em apenas três meses, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Do total analisado, 214 sites estavam ativos no momento da verificação e prontos para coletar dados financeiros de consumidores interessados em shows e festivais. A pesquisa destaca que a urgência gerada por eventos com ingressos esgotados — os chamados “sold out” — é explorada pelos criminosos por meio de ofertas que parecem impossíveis de recusar.
Evolução na venda de ingressos falsos
A investigação da Redbelt Security mostra que as páginas fraudulentas deixaram de ser projetos amadores e passaram a imitar com precisão a identidade visual e o fluxo de compra de grandes plataformas de venda. Segundo Marcos Sena, gerente de SOC da Redbelt, os sites clonados já chegam a replicar detalhes específicos do ingresso, como seção, fila e número do assento, o que aumenta a sensação de legitimidade para o comprador.
O levantamento também aponta que grupos criminosos atuam de forma organizada, com divisão de tarefas e reaproveitamento de infraestrutura. Como as páginas costumam ser derrubadas após denúncias ou intervenções, os golpistas mantêm um banco de domínios “dormentes” que podem ser ativados rapidamente para substituir links bloqueados e continuar a fraude em anúncios pagos e mensagens.
Além do prejuízo pelo valor do ingresso, órgãos como o Banco Central e entidades de proteção ao crédito alertam que o vazamento de dados pessoais e financeiros em transações fraudulentas alimenta crimes subsequentes, como abertura de contas em nome de terceiros e contratação indevida de empréstimos.
Para Eduardo Lopes, CEO da Redbelt Security, a combinação entre tecnologia avançada dos golpes e o comportamento do consumidor torna essencial a educação digital e a revisão de hábitos antes de concluir compras online.
Imagem: Divulgação
Como não cair em golpes
- Verifique com atenção o domínio do site; golpistas criam variações e pequenas alterações no endereço.
- Evite clicar em links recebidos por mensagens ou redes sociais; prefira digitar o endereço ou usar o aplicativo oficial.
- Analise a qualidade visual da página; imagens desfocadas, logos desalinhados e erros de escrita são sinais de risco.
- Confirme o uso de HTTPS, lembrando que o cadeado é necessário, mas não garante autenticidade por si só.
- Cheque a data de criação do domínio em ferramentas como Whois/Registro.br; sites muito recentes demandam cuidado.
- Prefira pagar com cartão virtual gerado pelo banco, criando um cartão específico para compras pontuais quando possível.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado ou de ingressos supostamente disponíveis para eventos esgotados.
- Se tiver dúvidas, contate a plataforma original pelos canais oficiais antes de efetuar qualquer pagamento.
O que fazer se cair no golpe
Em caso de fraude, as ações imediatas incluem o contato com a instituição financeira para bloqueio do cartão e a tentativa de reaver valores por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. A prevenção, por meio de verificação de links e atenção a sinais de fraude, continua sendo a principal medida para evitar perdas.
O cenário de 2026 exige que fãs de música e cultura atuem como consumidores vigilantes diante de um mercado negro digital que explora a pressa e a demanda por ingressos.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6