Resumo: O otimismo no ambiente de trabalho pode acabar sendo percebido como pressão para manter uma postura positiva a qualquer custo, o que nem sempre ajuda em situações de incerteza. A prática de um otimismo mais funcional envolve identificar obstáculos, oferecer clareza sobre os próximos passos e alterar a linguagem usada em avaliações de desempenho.

Segundo a autora e psicóloga clínica Deepika Chopra, a positividade forçada — conselhos para “manter o otimismo” ou insistir em ver somente o lado bom — tende a ser improdutiva quando as equipes enfrentam pressão e falta de definição. Em vez de aliviar o estresse, esse tipo de atitude pode manter o sistema nervoso em estado de alerta, prejudicando funções do córtex pré-frontal responsáveis pelo foco, planejamento e tomada de decisões.

Pesquisas citadas no texto indicam que suprimir sentimentos difíceis eleva a vigilância do organismo e reduz a atividade cerebral associada ao pensamento de ordem superior. Por outro lado, estratégias que reconhecem e nomeiam claramente as incertezas restauram a capacidade cognitiva e aliviam a carga mental.

1. Identificar o obstáculo antes de escolher a tarefa

Em contextos de incerteza, equipes frequentemente se mantêm ocupadas sem atacar o problema central. Chopra explica que, cognitivamente, a falta de definição gera atrito: questões não resolvidas ficam ativas em segundo plano e desviam atenção. Estudos sobre nomear afetos demonstram que verbalizar preocupações reduz respostas de estresse no cérebro e recupera o acesso ao pensamento estratégico. Assim, dizer algo direto como “Ainda não tenho clareza sobre o escopo” tira a incerteza do plano inconsciente e facilita a priorização de ações, como pedir orientação ou pausar trabalhos que não avançam.

2. Trocar garantias por clareza sobre o próximo passo

Quando a ambiguidade aumenta, a comunicação tende a se suavizar em vez de se tornar mais específica, o que pode aumentar a apreensão. O texto aponta que o cérebro enxerga a vagueza como risco não resolvido, o que prejudica a atenção. Oferecer estrutura — mesmo com pequenas definições temporais, informações pendentes ou indicações do que pode seguir — ajuda a acalmar o sistema nervoso e restaura o foco, mesmo com resultados ainda indefinidos.

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3. Mudar a linguagem sobre desempenho

A forma como se fala sobre erros e desempenho influencia o comportamento. Focar em falhas faz o cérebro priorizar autoproteção, levando a respostas cautelosas e redução da busca por soluções arriscadas. Substituir a retórica punitiva por uma linguagem que estimule curiosidade — ressaltando aprendizados e próximas ações possíveis — mantém as pessoas mentalmente presentes e transforma equívocos em informações úteis ao progresso do trabalho.

Chopra conclui que o otimismo que realmente ajuda no trabalho não é sobre demonstrar bom humor, mas sobre promover clareza, presença mental e capacidade de decisão em condições incertas. Em equipes sujeitas a mudanças frequentes, esse tipo de postura tem mais utilidade do que a simples imposição de positividade.

Com informações de Fastcompanybrasil