A dez dias do encerramento do prazo para enviar a declaração do Imposto de Renda 2026, contribuintes enfrentam um ambiente de fiscalização mais rigoroso. A Receita Federal passou a receber um volume recorde de informações provenientes de bancos, empresas, cartórios, operadoras de saúde, corretoras, exchanges de criptomoedas, plataformas digitais, imobiliárias e outras bases oficiais, o que acelera a detecção de inconsistências.
Embora a declaração pré-preenchida tenha facilitado o preenchimento, especialistas alertam que aceitar os dados importados sem conferir pode aumentar o risco de cair na malha fina. Até o momento, já foram entregues cerca de 27 milhões de declarações, e quase 60% delas utilizaram o modelo pré-preenchido — proporção superior aos 50,3% registrados no ano anterior.
Cerco mais apertado
Tributaristas apontam que o avanço na integração de bases de dados ampliou o alcance das cruzagens realizadas pela Receita. Leonardo Lucci, advogado tributário do Gaia Silva Gaede Advogados, diz que a fiscalização deixou de se limitar aos informes de rendimento e passou a englobar dados vindos do eSocial, notas fiscais eletrônicas, instituições financeiras, cartórios, imobiliárias, plataformas digitais, informações internacionais e registros de criptoativos.
Na prática, omissões ou discrepâncias que antes podiam passar despercebidas agora tendem a ser localizadas com mais rapidez. Recebimentos de aluguéis, operações financeiras, divergências em despesas médicas e inconsistências relacionadas a dependentes estão entre as situações que entram no radar do Fisco.
Para Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, muitos contribuintes ainda subestimam a capacidade atual da Receita. Segundo ela, movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada, gastos elevados, aquisição de bens, recebimentos via PIX e operações financeiras são exemplos de sinais que os sistemas identificam com facilidade.
A advogada Vanessa Cardoso, fundadora do VCI Law, afirma que o nível de escrutínio tornou inviável a ideia de que pequenos ganhos podem ser omitidos sem consequência, pois “agora tudo é checado”.
IA e automação na fiscalização
A adoção crescente de inteligência artificial também contribuiu para reduzir a necessidade de auditorias manuais e permitir alertas automáticos. João Henrique Gasparino, diretor executivo da NimbusTax, ressalta que o sistema pode sinalizar divergências sem intervenção humana imediata, e que erros simples, como digitação equivocada, podem disparar os mesmos alertas de uma omissão intencional.
Outro ponto de atenção é a coerência entre a renda declarada e o padrão patrimonial. Movimentações, compras de bens ou aportes significativos sem justificativa fiscal compatível costumam chamar atenção instantaneamente.
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O controle sobre despesas médicas também foi reforçado com a obrigatoriedade do sistema Receita Saúde para profissionais do setor, em vigor desde janeiro de 2025, segundo os especialistas.
Atenção à pré-preenchida e consequências
Inconsistências podem atrasar ou impedir a restituição, resultar em cobrança retroativa de imposto, incidência de juros, multas e, em casos mais graves, em autuações formais. Se o contribuinte detectar erro antes de notificação, é possível enviar declaração retificadora; caso contrário, os custos tendem a aumentar.
Especialistas apresentam um checklist com itens a conferir para reduzir o risco de cair na malha fina:
– informes de rendimento de bancos, empregadores e corretoras;
– despesas médicas e recibos válidos;
– dependentes (evitar duplicidade e declarar renda do dependente, se houver);
– rendimentos de aluguel;
– operações em bolsa e criptoativos;
– pagamentos e movimentações via PIX;
– compra e venda de imóveis e veículos;
– evolução patrimonial compatível com a renda;
– aplicações financeiras e previdência privada;
– rendimentos isentos, heranças e doações;
– dados importados na declaração pré-preenchida.
Contribuintes são aconselhados a revisar cuidadosamente cada informação antes do envio para evitar problemas com a Receita.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6