O Banco Central promoveu um corte cauteloso na taxa Selic na quarta-feira (18) e indicou que o processo de redução deve seguir adiante, segundo avaliação de Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú BBA, em entrevista ao InvestNews.
Gonçalves afirmou que a autoridade monetária destacou, no comunicado, a guerra no Oriente Médio — mencionada após 18 dias de conflito — como risco relevante para a economia. Apesar dessa preocupação, o economista entende que o BC deu um aceno a novos cortes, apontando a possibilidade de diminuições adicionais, inclusive na reunião marcada para 28 e 29 de abril.
Na interpretação do executivo, a repetição da palavra “calibração” três vezes no documento é o principal indicativo da mensagem do BC: a intenção é manter um processo contínuo de ajuste da taxa básica, ainda que com ritmo incerto. A dúvida central, segundo Gonçalves, é qual será a cadência dos cortes.
O Itaú BBA projeta Selic em 12,25% ao ano ao final de 2024, enquanto o mercado trabalha com número um pouco acima de 13%. Gonçalves ressaltou que o BC não se comprometeu com o tamanho total do ciclo, mas sinalizou que os juros permanecerão em patamar contracionista, com possibilidade de redução gradual.
Sobre as próximas reuniões do Copom, o economista avaliou que a opção por um corte de 0,25 ponto percentual é viável, enquanto a precificação de 0,50 ponto percentual encontra mais resistência diante do atual estresse externo. A hipótese de não haver corte praticamente saiu da mesa, segundo ele.
Quanto à inflação, o BC elevou levemente a projeção para o horizonte relevante, de 3,2% para 3,3%. O mercado esperava números um pouco maiores — entre 3,4% e 3,5% — em função do choque do petróleo. A revisão moderada da expectativa de inflação foi um dos elementos que permitiram o início do ciclo de cortes.
Imagem: Divulgação
Gonçalves também comentou a postura do Fed e seus efeitos no Brasil. Apesar de Jerome Powell ter afirmado que não há intenção de cortar juros enquanto persistir elevada incerteza, o especialista destacou que a diferença entre a taxa brasileira e a americana continua significativa — cerca de 14,75% no Brasil contra pouco acima de 3% nos EUA — e que esse diferencial reduz, por ora, limitações para a política local. O real tem se mantido em torno de R$ 5,25, segundo ele.
Sobre os canais que podem pressionar a inflação brasileira, Gonçalves apontou câmbio e petróleo como fatores interligados. O preço elevado do petróleo melhora os termos de troca e ajuda a sustentar o real, mas também eleva custos de energia, com efeito amplo sobre os preços. Além disso, o especialista lembrou a vulnerabilidade em fertilizantes: cerca de 30% das exportações mundiais desse insumo passam pelo Estreito de Ormuz, que, segundo o texto do entrevistado, está fechado por decisão do Irã. Se o choque persistir, impactos na inflação de alimentos podem surgir no ano seguinte e influenciar decisões de juros, dado que o horizonte relevante da política monetária é o terceiro trimestre de 2027.
Em síntese, a leitura do mercado e de analistas como Gonçalves é a de que o BC iniciou um ciclo de afrouxamento monetário, com cortes graduais e atenção ao cenário externo, especialmente aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre preços de petróleo, energia e fertilizantes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6