A rede sueca de fast fashion H&M reportou vendas abaixo das projeções no primeiro trimestre, em um período afetado por consumo fraco e fortes variações cambiais, mas conseguiu elevar a rentabilidade por meio de controle de custos.

Quem e o que: A H&M divulgou que as vendas líquidas em moedas locais recuaram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), contra expectativa do mercado de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Apesar da receita aquém do estimado, a empresa registrou lucro operacional de 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima das expectativas, impulsionado por medidas de redução de custos e gestão de estoques.

Quando e onde: Os números referem-se ao primeiro trimestre do ano fiscal mais recente, com divulgação ocorrida nesta temporada de balanços. Na Bolsa de Estocolmo, as ações da companhia chegaram a cair até 6,6% no dia da divulgação, marcando a maior queda intradiária desde setembro de 2024.

Como e por que: Desde 2024 o CEO Daniel Erver tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. A empresa adotou medidas para reduzir estoques e aumentar vendas a preço cheio, elevando a margem operacional de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025, atingindo 8,4% nos últimos 12 meses. A companhia também projetou crescimento de 1% nas vendas em março na comparação anual.

Estratégia omnichannel e eficiência de estoques

A H&M mantém investimentos na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais para ampliar conveniência e engajamento. A empresa informou avanços na eficiência de estoques, classificando os níveis atuais como “em boa forma”, e destacou decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores para ajustar a oferta e tornar coleções mais relevantes.

Expansão com foco no Brasil

No plano de otimização da rede global, que conta com 4.050 lojas, a empresa pretende abrir cerca de 80 unidades e fechar aproximadamente 160 em 2026. Na América Latina, o Brasil ganhou protagonismo: a H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país. A operação brasileira começou em 2025, com estreia em São Paulo e unidades já em Campinas. Para o ano corrente estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP). A empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano, e prevê uso maior de produção local e políticas de preço mais competitivas.

Imagem: Divulgação

Riscos apontados

A companhia alertou para riscos associados ao conflito no Oriente Médio. Segundo a administração, o impacto direto nas operações ainda é limitado, mas um prolongamento do conflito pode elevar custos de energia e transporte, gerando efeitos indiretos relevantes, inclusive o chamado “efeito chicote” na cadeia de suprimentos. Esse aumento de custos pode atingir o consumidor em um cenário de orçamentos pressionados, especialmente pela inflação de alimentos no Reino Unido e em outras partes da Europa. A H&M também segue sob pressão de concorrentes como Shein, Primark e a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.





A empresa segue monitorando o ambiente operacional enquanto avança em sua estratégia de recuperação.

Com informações de Investnews