As importações dos Estados Unidos vindas de países asiáticos subiram em relação ao ano anterior em junho, em grande parte devido à antecipação de compras por varejistas diante de mudanças tarifárias. Dados do Departamento de Comércio divulgados na terça-feira mostram que o déficit comercial dos EUA com 12 parceiros asiáticos avançou 11% em junho ante maio, alcançando US$ 81,3 bilhões.

O déficit com a Coreia do Sul quase dobrou, atingindo níveis recorde em comparação com maio, enquanto o aumento das importações do Japão fez o déficit crescer 315% no mesmo período, apesar dos esforços do governo americano para reduzir o desequilíbrio por meio de seu regime tarifário. No primeiro semestre do ano, o déficit com esses 12 parceiros asiáticos somou US$ 417 bilhões, alta de 6% sobre o mesmo intervalo de 2025.

Varejistas nos EUA têm adiantado pedidos para recompor estoques antes da aplicação de tarifas reajustadas em julho, o que contribuiu para o aumento das importações. “Este ano não foi diferente, com as preocupações relacionadas às tarifas causando uma antecipação das compras, que acreditamos que atingirá um patamar entre maio e julho, estendendo-se também até meados de agosto”, disse Daniel Hackett, sócio da Hackett Associates, ao Nikkei Asia.

No agregado, o déficit americano em bens e serviços caiu em junho, com as exportações de serviços superando as importações. Entre os movimentos por categoria, as exportações de petróleo bruto recuaram US$ 5,7 bilhões e as de óleo combustível caíram US$ 1,6 bilhão. As remessas de ouro (não monetário) subiram US$ 3,4 bilhões; as importações de equipamentos de telecomunicações aumentaram US$ 1,1 bilhão; e as de produtos farmacêuticos diminuíram US$ 1,9 bilhão.

O papel da China nas importações americanas de bens tem se reduzido em participação nos últimos anos, mas o valor importado do país aumentou, ampliando o déficit dos EUA em junho. No mês passado, o presidente Donald Trump impôs tarifas que variam de 10% a 12,5% sobre 60 parceiros comerciais, após o vencimento da tarifa fixa de 10% sobre todas as importações em 24 de julho. As novas alíquotas atingem produtos de vários países asiáticos, incluindo China, Japão e Coreia do Sul, e foram justificadas pelo governo como punição a países que não teriam impedido adequadamente a produção com trabalho forçado.

Investigação separada sobre excesso de capacidade produtiva em outros 16 países ainda está em curso e pode resultar em novas tarifas. Um grupo de pequenas empresas americanas entrou com ação contra as novas medidas baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio, alegando que o governo excedeu a intenção do Congresso ao transformar uma ferramenta dirigida em um regime tarifário global. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou a primeira tentativa da administração Trump de impor tarifas abrangentes com base em poderes de emergência.

EUA elevam importações de produtos asiáticos no primeiro semestre por incerteza sobre tarifas

Imagem: Pixabay

A expansão de data centers para inteligência artificial elevou a demanda por equipamentos elétricos, principalmente de Taiwan, considerado um grande produtor de chips avançados. As importações americanas de Taiwan no primeiro semestre quase dobraram o déficit bilateral, para US$ 107 bilhões, ante US$ 56 bilhões no mesmo período anterior. As compras da Coreia do Sul também cresceram por conta da demanda ligada à IA: o déficit com aquele país subiu 14%, para US$ 35,7 bilhões nos primeiros seis meses de 2026 em comparação com igual período do ano passado.

Além da tecnologia, houve aceleração na demanda por equipamentos industriais e de transporte, segundo Jeremy Schwartz, economista sênior para os EUA da Nomura, que afirmou haver “muita volatilidade e muita incerteza” nos ajustes sazonais. A guerra no Oriente Médio afetou cadeias de suprimento e preços de energia, com impacto sobre petróleo, fertilizantes, hélio e embalagens.

O Produto Interno Bruto dos EUA cresceu 1,5% no segundo trimestre, abaixo das expectativas dos economistas. Tipicamente, o forte aumento de importações seria compensado por alta nos estoques, mas estes continuaram a cair devido à expansão da inteligência artificial e à demanda por componentes específicos.

Com informações de Valor.globo