A obra e a imagem de Frida Kahlo voltaram a ganhar destaque global após a venda do quadro “O Sonho (A Cama)” por US$ 54,7 milhões, valor que a tornou a artista feminina mais cara em leilões. Em 2026, a pintora mexicana será novamente o foco de grandes mostras e de uma montagem operística nos Estados Unidos.

Entre as iniciativas programadas está uma produção operística sobre a vida — e a pós-vida — de Kahlo e de seu marido, o muralista Diego Rivera, que estreia na primavera do hemisfério norte no Metropolitan Opera de Nova York.

Mari Carmen Ramírez, curadora do Museum of Fine Arts em Houston e responsável pela retrospectiva “Frida Kahlo: A Construção de um Ícone”, afirmou: “Cada década tem seus altos e baixos com Frida, mas ela é a garota que se recusa a desaparecer”. A mostra de Houston reúne 35 obras e fica em cartaz até 17 de maio.

Frida Kahlo (1907–1954) foi conhecida em vida sobretudo pelo relacionamento turbulento com Rivera; porém, seu trabalho só alcançou reconhecimento internacional mais amplo após uma série de biografias nos anos 1970. Hoje, além de artista, Kahlo é ícone da cultura pop — sua moda indígena, sobrancelha única e penteados continuam a inspirar produtos e imagens.

Curadores observam que a influência de Kahlo se amplia entre artistas mais jovens, inclusive entre criadores com deficiência, que valorizam a representação crua da dor presente em suas pinturas. Seu catálogo relativamente pequeno — cerca de 200 pinturas, muitas com restrições legais para sair do México — explica, em parte, a atenção museológica e o impacto no mercado.

A exposição de Houston inclui peças iniciais, como um autorretrato de 1926 e “Meu Vestido Está Ali” (1933), uma visão sombria de Nova York pintada durante uma estadia com Rivera, na qual o vestido da artista aparece pendurado entre um vaso sanitário e um troféu. “Hospital Henry Ford” (1932) retrata um aborto, com vasos sanguíneos representados como fitas e objetos que sugerem a lentidão da recuperação.

A mostra combina pinturas de Kahlo com obras contemporâneas que dialogam com seus temas, como a escultura de Kiki Smith que exibe o tronco feminino com um feto pendurado pelo cordão umbilical. Mais de 80 artistas, entre eles Judy Chicago e Regina José Galindo, participam da homenagem; o grupo inclui cerca de 50 nomes vivos. Ao seguir para o Tate Modern em 25 de junho, o acervo da mostra será adaptado com empréstimos locais.

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No Museu de Arte Moderna (MoMA), a exposição “Frida e Diego: O Último Sonho” abre em 21 de março e vai até 12 de setembro. A curadora Beverly Adams disse que cordas, andaimes e tecidos azuis servirão de cenários em torno de sete obras de Kahlo e dezenas de peças de Rivera. Adams também relacionou o projeto ao interesse da diretoria do museu em experimentar com cenografia por Jon Bausor.

Paralelamente, a primeira ópera de Gabriela Lena Frank, “O Último Sonho de Frida e Diego”, dirigida por Deborah Colker, será apresentada de 14 de maio a 5 de junho. A montagem reinterpreta o mito de Orfeu e Eurídice, com Diego tentando invocar a esposa no Dia dos Mortos; os cenários incluem a recriação da cama com dossel de Kahlo, de onde se estende uma árvore cujos galhos lembram artérias. Uma versão reduzida dessa cama e outros adereços estarão no MoMA.

Entre as obras destacadas no MoMA está “Árvore da Esperança, Permaneça Forte” (1946), em que Kahlo contrasta uma versão de si ferida em maca com outra sentada, vestida de vermelho. “Todas as obras de Kahlo falam sobre suas diferentes trajetórias e autoconstruções”, disse Adams. “Uma só não a encapsula.”

O conjunto de exposições e projetos artísticos que tomam Frida Kahlo como referência reflete, segundo curadores, um interesse renovado por sua obra e por sua imagem pública.

Com informações de Investnews