No dia 27 de abril, um julgamento reunirá em lados opostos dois executivos influentes do setor de tecnologia: Elon Musk, proprietário da Tesla e da rede social X, e Sam Altman, CEO da OpenAI. A controvérsia envolve alegações de que a OpenAI teria ocultado sua estrutura com fins lucrativos quando Musk doou US$ 38 milhões à organização.

Fontes do processo indicam que Altman e o CEO da Microsoft, Satya Nadella — que é acionista relevante da OpenAI — são esperados para depor durante o julgamento. A disputa judicial inclui um pedido de Musk por cerca de US$ 134 bilhões em reparação, montante calculado por C. Paul Wazzan, economista da Berkeley Research Group, apresentado como perito da parte autora.

O litígio é apenas a etapa mais recente de uma relação que começou em 2015, quando Musk e Altman figuraram como co-diretores na fundação da OpenAI, idealizada na época como uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial “amigável” para benefício da humanidade. Em 2018, entretanto, tensões surgiram quando a organização captou cerca de US$ 1 bilhão em investimentos e começou a avaliar um modelo que permitisse um braço com fins lucrativos para viabilizar crescimento.

Segundo documentos citados no processo, Musk propôs à OpenAI uma fusão com a Tesla como forma de acelerar a escala da empresa, argumento expresso em um e-mail que defendeu a associação com a montadora como saída para competir com grandes rivais. Posteriormente, Musk deixou o conselho da OpenAI e anunciou planos de desenvolver uma plataforma própria de IA — a xAI — vinculada à Tesla.

Disputas públicas

Além das alegações sobre as doações, a relação entre Musk e Altman se degrada em público por meio de trocas de críticas nas redes sociais. Em janeiro de 2025, quando a OpenAI revelou o Projeto Stargate — iniciativa estimada em US$ 500 bilhões para construir infraestrutura de IA nos EUA em parceria com o SoftBank, MGX e Oracle — Musk questionou a capacidade financeira do consórcio. Altman rebateu e chegou a convidá-lo a visitar um dos locais em construção.

No mesmo ano, em agosto de 2025, Musk e empresas ligadas a ele — xAI e X — moveram ação contra a Apple e a OpenAI, alegando práticas anticoncorrenciais após anúncio de integração do ChatGPT nos sistemas da Apple. As trocas entre os dois também incluíram críticas públicas sobre segurança e uso do ChatGPT e menções a incidentes envolvendo o piloto automático da Tesla.

Imagem: Divulgação

No processo, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers decidiu que não poderia descartar de imediato a metodologia do perito Wazzan com base em uma moção breve, mantendo parte das alegações para avaliação em juízo. Musk afirmou recentemente que eventual indenização obtida será doada a instituições de caridade, e Altman chegou a manifestar entusiasmo por ver o rival depor sob juramento.

O caso reúne disputa sobre transparência da estrutura societária da OpenAI, reivindicações financeiras expressas por Musk e intensa visibilidade pública dada pelos dois empresários desde a fundação da organização.

Com informações de Infomoney