A CVC informou, nesta sexta-feira (10), que assinou um acordo de acionistas entre a GJP, fundo ligado a Gustavo Paulus — filho do fundador Guilherme Paulus — e a gestora Apex/Carbyne. O pacto estabelece coordenação de votos, indicação de membros ao conselho e regras para negociação de ações, e representa uma mudança na estrutura societária da companhia.

O acordo ainda depende de aprovação dos demais acionistas em assembleia geral extraordinária (AGE), na qual será discutida a dispensa da obrigação de oferta pública de aquisição (OPA) prevista no estatuto da empresa.

No mesmo documento divulgado ao mercado, a CVC anunciou a renúncia de Tiago Ring ao cargo de conselheiro. Ring, gestor da Absolute Investimentos e membro do conselho desde maio de 2024, permanecerá na função até a posse de seu substituto. Em razão da saída e do novo pacto, o conselho aprovou a convocação da AGE para deliberar sobre a dispensa da OPA e sobre a eleição de um novo integrante do colegiado.

Detalhes do arranjo societário

Na data da assinatura, a GJP detinha 106,8 milhões de ações, equivalentes a cerca de 20,3% do capital. O bloco formado por Apex/Carbyne possuía 79,97 milhões de papeis, aproximadamente 15,2%. Juntos, passam a controlar cerca de 35,5% das ações da CVC.

A Apex Partners, que tem mais de R$ 17 bilhões em ativos e foi fundada por Fernando Cinelli em Vitória (ES), constituí seu lote na CVC ao longo do último ano, sobretudo por meio de sua vertical de PIPE (Private Equity in Public Investment).

O desenho do acordo concede à GJP a liderança política: o fundo ligado a Gustavo Paulus poderá orientar, formalmente, o voto do bloco Apex/Carbyne antes de assembleias e reuniões do conselho, e o outro lado se compromete a seguir essa indicação quando ela for emitida.

Ainda assim, o Apex/Carbyne preserva poderes de veto em assuntos considerados sensíveis, como saída do Novo Mercado, redução do pagamento de dividendos obrigatórios, alterações relevantes no estatuto, dissolução da companhia, pedido de recuperação judicial ou falência, e diminuição do conselho para menos de cinco membros.

Quanto à divisão de cadeiras, se os dois blocos elegerem entre dois e seis conselheiros, o Apex/Carbyne indicará um assento e a GJP ficará com os demais; caso o número supere seis, a Apex/Carbyne poderá indicar dois nomes. Atualmente, o conselho da CVC é composto por cinco membros.

O movimento acontece em um momento de mudança na base acionária: a Absolute, que havia surgido como acionista relevante em setembro de 2023 e ampliado posição, reduziu sua fatia para menos de 5% em março, após manter 9,8% até 26 de janeiro, conforme formulário de referência. Desde o anúncio de sua participação relevante, o papel acumulava desvalorização de 26%.

Imagem: Divulgação

A saída de Ring, ligada à Absolute, e a redução da participação desta gestora enfraquecem um ator que vinha ganhando importância na estrutura de capital, coincidindo com a formalização da aliança entre os dois maiores blocos. A Opportunity segue como acionista relevante, com cerca de 7,8%, mas tende a ter menos influência isolada diante do bloco organizado.

Pano de fundo operacional

Fontes ouvidas pelo InvestNews apontam que a redução da participação da Absolute também reflete um momento operacional mais desafiador para a CVC. Há expectativa de resultados fracos no primeiro trimestre, que podem se estender ao segundo trimestre, com pressões vindas de efeitos da Guerra do Irã sobre o preço do petróleo, impactando custos do setor aéreo e a demanda por viagens.





Para o restante do ano, o mercado incorpora cautela por conta da Copa do Mundo e do calendário de feriados prolongados, que podem favorecer deslocamentos de carro, menos alinhados com o modelo tradicional da CVC, voltado a pacotes, viagens aéreas e turismo estruturado.

A reorganização societária ocorre poucos meses após mudança no comando executivo: em janeiro a CVC antecipou a sucessão de Fabio Godinho e empossou Fabio Mader como novo CEO. Fontes disseram ao InvestNews que a troca já vinha sendo estudada e que Mader, executivo próximo à família Paulus, era bem recebido por Godinho. Entre 2023 e 2025 a margem Ebitda da companhia passou de 14,9% para 31,9%.

O novo acordo formaliza uma aliança que deve concentrar decisões entre os principais blocos de acionistas da CVC, redesenhando o equilíbrio de poder na companhia.

Com informações de Investnews