TROMSØ, Noruega — A intensa procura pela aurora boreal transformou-se em um problema para Tromsø, cidade no norte da Noruega, após o surgimento de uma indústria de passeios turísticos não regulamentada que causa transtornos, concorre com operadores licenciados e reduz a arrecadação municipal.
A ação policial descrita pelo superintendente Lars Holtedahl em fevereiro começou com vigilância a uma minivan cinza-escuro com placa estrangeira. Segundo Holtedahl, o veículo chamava atenção pelo comportamento errático e pelas mensagens frenéticas no celular do motorista. “Assim que eles começaram a andar, ligamos a sirene azul”, relatou o superintendente, lembrando que a equipe conseguiu surpreender os suspeitos na entrada enlameada do aeroporto de Tromsø.
O motorista preso naquele episódio, descrito pela polícia como um cidadão chinês de cerca de 40 anos, acabou deportado. Ao ser abordado, ele afirmou estar levando parentes; mensagens no aparelho mostraram, porém, que havia vendido um pacote de cinco dias por 31 mil yuans (mais de US$ 4.500).
Tromsø, com cerca de 80 mil habitantes e situada acima do Círculo Polar Ártico, viu o fluxo de visitantes crescer nos últimos anos, impulsionado por redes sociais. Na alta temporada, de setembro a abril, turistas podem superar moradores na proporção de 3 para 1. Só em fevereiro, mais de 137 mil passageiros passaram pelo terminal internacional ampliado do aeroporto, segundo a Avinor, empresa estatal que administra aeroportos na Noruega.
Autoridades locais acusam principalmente operadores vindos da China de atuar sem licença, prestar serviços irregulares e levar os lucros para fora do país. “Não vemos aumento de receita no município, só vemos as despesas”, afirmou Helga Bardsdatter Kristiansen, responsável por sustentabilidade na cidade, citando pressão sobre ruas e serviços públicos. Ela afirmou que quase metade das operadoras de turismo em Tromsø é irregular.
Ao longo da temporada, a polícia apreendeu cerca de 10 veículos por mês e prendeu mais de uma dúzia de pessoas por transporte ilegal de turistas, segundo os relatos das autoridades. Para enfrentar o problema, foi criada no ano passado a unidade A-Crime; a equipe especial patrulha a cidade ao anoitecer, revista veículos e identifica guias sem autorização.
Os guias ilegais costumam adotar táticas para escapar da fiscalização, conforme investigações da A-Crime, como alegar que os passageiros são familiares. Kurt Kolvereid Jacobsen, um dos responsáveis pela unidade, afirmou que a barreira de entrada para operar é baixa: “Você precisa saber para onde ir e precisa do carro”.
Imagem: Divulgação
Turistas também relatam golpes e decepções em redes sociais chinesas. Uma moradora de Chengdu contou que o passeio terminou na delegacia quando o motorista foi detido; outra turista, Tingting Wang, disse ter pago US$ 1.400 por um tour para ela e os pais idosos, sem conseguir ver as luzes: na primeira noite o céu estava nublado e na segunda o guia não apareceu.
Operadores autorizados reclamam da concorrência desleal. Gunnar Hildonen, veterano em passeios da aurora, disse que cobra cerca de US$ 250 por um assento em seu micro-ônibus de 16 lugares e que motoristas não registrados aceitam frações desse valor. “Esta temporada deveria ser uma celebração porque é a minha 20ª aurora”, afirmou, descrevendo o impacto negativo das operações irregulares em seu trabalho.
Os relatos indicam que o turismo massivo trouxe benefícios econômicos, mas também pressões logísticas, fiscais e de segurança que desafiam autoridades locais e operadores legais em Tromsø.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6