TRANSMISSÃO: Globo

A Revo, principal operadora de táxi-aéreo do Brasil, está concluindo o mapeamento das primeiras rotas comerciais para eVTOLs — aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical conhecidas como “carros voadores” — e projeta iniciar operações em São Paulo no quarto trimestre de 2027, no cenário mais otimista.

A empresa, controlada pelo grupo português OHI, assinou contrato de compra de até 50 unidades do modelo Eve 100, fabricado pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. As entregas desses veículos estão previstas em prazos de 18 a 24 meses. A Revo opera desde 2023 uma plataforma de voos de helicóptero em São Paulo e já prepara a transição para as aeronaves elétricas.

Rotas e demanda

João Welsh, CEO da Revo, informou ao GLOBO que o foco inicial será a Região Metropolitana de São Paulo, com ligação entre o centro expandido da capital e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, além de rotas que conectem polos empresariais como as avenidas Paulista, Faria Lima, Berrini e o condomínio Alphaville, em Barueri. A empresa realiza em média 22 voos de helicóptero por dia a partir do aeroporto, rota que gera a maior parte de sua receita e que deverá ser utilizada como base de migração para os eVTOLs.

A Revo também avalia operações intermunicipais para cidades industriais como Campinas e São José dos Campos, mas considera essas rotas mais complexas por questões de distância e custo-benefício. O executivo afirmou que já existe demanda por previsibilidade nos trajetos, diante do agravamento do trânsito.

Preços, preparação e infraestrutura

As tarifas para os eVTOLs ainda não foram definidas. A empresa pretende partir de um modelo de assinatura anual para deslocamentos curtos, testado hoje com um pacote que oferece 30 assentos por US$ 13.650 (R$ 68,6 mil) em helicópteros Airbus H135 e H155, que pode servir como transição para o novo modal. A Revo afirma ter iniciado treinamento de mecânicos e pilotos e estuda a infraestrutura necessária, incluindo a conexão dos clientes aos futuros vertiportos e a logística de recarga das baterias.

Aeronave e certificação

O Eve 100, escolhido pela Revo, está em fase de testes. A Eve conduziu uma campanha de 59 voos com o protótipo de engenharia focada em sustentação estacionária e baixa velocidade. A próxima etapa são os voos de transição, considerados os mais complexos, quando o empuxo migra dos propulsores verticais para as hélices horizontais.

Imagem: Divulgação PAX Aeroportos

A certificação ficará a cargo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Roberto Honorato, diretor da Anac, informou que a Eve mira obter o certificado entre o fim de 2027 e o início de 2028, mas ressaltou que o cronograma depende da fabricante. A agência acompanha o desenvolvimento, incluindo o uso de um simulador em São José dos Campos e sandboxes regulatórios voltados aos vertiportos.

Honorato ponderou que a escala inicial deverá ser limitada, com rotas dedicadas e fluxo restrito, e que ainda faltam definições sobre infraestrutura e integração com a cidade. Jurandir Fernandes, coordenador do Conselho de Transporte e Mobilidade Urbana do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, classificou o eVTOL como um nicho para a população de 24 milhões da região, com maior viabilidade em usos executivos, emergências médicas e deslocamentos regionais.

A Embraer já registrou cerca de 2.900 intenções de compra para seus eVTOLs. Internacionalmente, a americana Joby Aviation realizou este mês um voo público entre o Aeroporto JFK e o centro de Manhattan em menos de dez minutos, com tarifas projetadas em nível premium em parceria com a Uber.

Welsh afirmou que o Brasil pode ser pioneiro na operação comercial do novo modal, mas apontou o licenciamento municipal e a adaptação de helipontos em vertiportos, além da infraestrutura elétrica para recarga, como desafios a serem superados. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo informou que acompanha os estudos da Anac e de outros órgãos sobre a compatibilidade legal e eventuais ajustes normativos.

Com informações de Infomoney