Operação “Falsa Las Vegas” bloqueia R$ 5,2 bilhões e atinge rede de apostas ligada ao PCC

Helicóptero de R$ 15 milhões, 76 imóveis e R$ 600 mil em uma Amarok: força-tarefa mira esquema sofisticado de jogos ilícitos em São Paulo

Polícia Civil de São PauloUma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo desmontou, nesta quinta-feira, uma organização que controlava apostas ilegais e movimentava fortunas ligadas ao Primeiro Comando da Capital. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens e ativos vinculados aos investigados.

Como o esquema funcionava

Os agentes encontraram um complexo aparelho financeiro por trás das plataformas de jogo: empresas com fachada regular, contas em nome de terceiros e depósitos fragmentados para dificultar rastreamento.

Em endereços alvo das buscas, foram apreendidos cadernos com anotações, comprovantes e outras provas que ajudaram a mapear a estrutura. Também foram recolhidos registros que indicam divisão clara de tarefas — desde a operação das apostas até a gestão do dinheiro em espécie.

O aparato logístico impressionou: 76 imóveis sequestrados, cinco carros de alto padrão e um helicóptero avaliado em cerca de R$ 15 milhões entre os bens bloqueados. Ao todo, a ação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva na capital e na região metropolitana.

Em uma das apreensões, policiais localizaram R$ 600 mil em espécie escondidos dentro de uma Volkswagen Amarok. Até agora, duas pessoas foram detidas; as identidades não foram divulgadas pelas autoridades.

A investigação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras do Deic, em parceria com promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp). Segundo os responsáveis pelo caso, a operação é um desdobramento de apurações iniciadas a partir de outra fase — a Operação Falso Mercúrio, deflagrada em dezembro passado.

Imagem: Ap

Perícias financeiras indicaram movimentações incompatíveis com atividade lícita, e parte dos recursos teria sido usada até para financiar crimes violentos. Investigações em andamento apontam conexão entre o esquema e o homicídio de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, ocorrido em novembro de 2024 no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos.

As autoridades dizem ter identificado contas de fachada e repasses organizados por “laranjas” para camuflar a origem dos valores. O caso expõe uma estrutura que misturava operações digitais de apostas e mecanismos tradicionais de lavagem — um modelo que, segundo investigadores, ampliou os lucros da facção criminosa.

A apuração segue aberta. Promotores e policiais ainda trabalham para localizar outros envolvidos, aprofundar o rastreamento de ativos e transformar o bloqueio de bens em apreensão definitiva, conforme as provas avançarem no inquérito.