31/12/2025: 5 erros com criptomoedas que podem colocar sua declaração na mira da Receita

Prazo final às 23h59 (Brasília UTC-3) — posições iguais ou superiores a R$ 5.000 em 31/12/2025 devem constar na declaração

O prazo aperta e a Receita segue atenta: ativos digitais exigem atenção específica na prestação de contas. Mychel Mendes, da Blue Consult, lista os deslizes mais recorrentes que vêm puxando contribuintes para divergências e notificações — e que podem custar caro se forem ignorados.

1) Subestimar o total negociado
Vendas de cripto têm isenção mensal até R$ 35 mil, mas ultrapassar esse teto muda o cenário tributário. A alíquota inicial é de 15% e sobe conforme o ganho: até R$ 5 milhões (15%); de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões (17,5%); de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões (20%); acima de R$ 30 milhões (22,5%). E atenção: ao avançar para outra faixa, o ganho pode ser tributado pela nova alíquota como um todo — o que eleva a conta final.

2) Não declarar operações consideradas isentas
Mesmo vendas dentro do limite mensal precisam constar na declaração anual: ganhos isentos vão na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Além disso, quem detinha R$ 5.000 ou mais em cada cripto em 31/12/2025 precisa listar esses ativos em Bens e Direitos, discriminando bitcoin, altcoins, stablecoins e produtos digitais que integrem carteira.

3) Omitir operações em exchanges no exterior
Negociações fora do país são de responsabilidade direta do investidor: plataformas estrangeiras geralmente não reportam ao Fisco brasileiro. Essas vendas não se beneficiam da faixa de isenção de R$ 35 mil e costumam ser tributadas a partir de 15% conforme regras específicas.

4) Ter patrimônio incompatível com os rendimentos
A evolução patrimonial é cruzada pela Receita com a renda declarada. Saltos abruptos sem origem identificada — salários, rendimentos financeiros, lucros comprovados, heranças, empréstimos declarados — elevam o risco de cair na malha fina e exigir comprovações posteriores.

5) Falhar no recolhimento mensal do imposto
Quando há imposto devido sobre ganhos com cripto, o cálculo passa pelo GCAP e o pagamento é feito via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda. Operações realizadas no exterior, porém, seguem regras próprias e, em muitos casos, o ajuste ocorre na declaração anual.

Subtítulo interno

Mercado e pano de fundo: cotações e sinais que influenciam lucro e declaração.

Principais cotações (consulta matinal): Bitcoin (BTC) +0,33% — US$ 73.545,11; Ethereum (ETH) +1,14% — US$ 2.009,56; BNB +0,88% — US$ 638,09; XRP +2,15% — US$ 1,31; Solana (SOL) +1,58% — US$ 82,06.

Entre os destaques: o volume de negociação de bitcoin no Brasil mostra arrefecimento — R$ 1,66 bilhão em maio, ante R$ 2,69 bilhões no mesmo mês do ano anterior, queda de 38%. No plano internacional, a Strategy — com grande tesouraria em BTC — vive pressão sobre sua ação, que tem oscilado abaixo de níveis de referência, enquanto a SpaceX revelou posse de 18.712 BTC (cerca de US$ 1,3 bilhão no fim de março) em documentos associados a sua oferta pública, com ambição de avaliação superior a US$ 1,5 trilhão.

Os números e regras tributárias caminham juntos: discrepâncias na conta final têm virado pauta de fiscalização, e entender onde residem os principais riscos é parte essencial para quem lida com criptomoedas.