Copa 2026 pode injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro — e quase todo o giro virá do mercado alimentício

Projeção da CNC prevê alta real de 6,5% sobre 2022; desempacotamento do consumo é puxado por emprego e inflação em queda

O Mundial que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México deverá movimentar R$ 4,32 bilhões no comércio do Brasil, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). É um avanço real de 6,5% sobre o faturamento extra registrado em 2022 — mas o mapa do gasto mostra concentração e limitações claras.

Público assiste a jogos da Copa em bares e casas
Hipermercados e supermercados concentram a maior parte do acréscimo nas vendas, segundo a CNC.

Quem vai lucrar — e o que muda nas prateleiras

Quase 70% desse saldo extra, ou R$ 3,97 bilhões, deve ser absorvido por hipermercados e supermercados. O movimento reflete compras imediatas para assistir aos jogos: bebidas, alimentos e faltas de última hora dominam o carrinho.

Vestuário e acessórios aparecem em seguida, com expectativa de R$ 803,7 milhões. A procura por roupas esportivas e produtos comemorativos costuma acelerar nos dias de partida, trazendo picos curtos de vendas.

Artigos de uso pessoal e doméstico — que abarcam pequenos eletroeletrônicos e artigos especializados — somam R$ 262,6 milhões no prognóstico. Informática e comunicação têm previsão de R$ 198,5 milhões; móveis e eletrodomésticos, R$ 80,2 milhões.

O comportamento de compra também já mostra sinais específicos. Dados do Google Trends, usados pela CNC, apontam alta de 8,4% nas buscas por smart TVs em maio ante abril. Ainda assim, o interesse permanece 15,6% abaixo do pico pré-Copa de 2022 e inferior aos níveis vistos antes dos Mundiais de 2014 e 2018.

Imagem: Divulgação

Parte dessa moderação tem explicação nos preços e nas condições de crédito. Entre 2022 e 2026, o IPCA-15 do IBGE registrou queda média de 18,9% no preço dos televisores — mas a elevação dos juros vem segurando a substituição de aparelhos por consumidores que evitam parcelamentos caros.

O resultado projetado pela CNC mistura fatores favoráveis e limites: melhora do mercado de trabalho e inflação em desaceleração puxam o consumo, enquanto o custo do crédito restringe compras de maior valor. O efeito final será um Mundial que aquece o varejo, mas de forma assimétrica — concentrada onde a demanda é imediata e os pagamentos, à vista.