Onda tecnológica cria quase 2 milhões de milionários e eleva riqueza global a US$98,3 tri

Valorização das bolsas e aposta em empresas de tecnologia impulsionaram recorde na riqueza privada

A fortuna acumulada por indivíduos com pelo menos US$ 1 milhão em ativos investíveis alcançou US$ 98,3 trilhões em 2025, segundo levantamento internacional. O montante é 8,6% maior que no ano anterior e aproxima-se do tamanho da economia mundial, estimada em torno de US$ 111 trilhões.

O crescimento teve ritmo acelerado: quase 2 milhões de novos milionários foram contabilizados no período, levando a população global desse segmento à marca histórica de 25,3 milhões de pessoas.

Os ganhos foram notáveis em todas as faixas, mas especialmente entre os super-ricos. O grupo com patrimônio acima de US$ 30 milhões chegou a 250 mil indivíduos — outro recorde que mostra aumento da concentração no topo.

O principal motor foi a valorização dos mercados acionários, impulsionada por forte demanda por empresas ligadas à nova onda tecnológica. Investidores migraram capital para ações, elevando a participação desses papéis nos portfólios de alta renda.

Onde a riqueza cresceu — e quem ficou para trás

Os Estados Unidos foram responsáveis pela maior parte da geração de riqueza: 736 mil novos milionários surgiram no país em 2025, elevando o total para 8,7 milhões e ampliando a riqueza dos mais ricos em cerca de 10% na comparação anual.

Na região Ásia-Pacífico, o avanço foi ainda mais intenso, com aumento de 10,5% na riqueza total. A demanda por semicondutores e o desempenho das bolsas impulsionaram regiões como Japão e China, que adicionaram 436 mil e 154 mil milionários, respectivamente.

A Europa registrou recuperação e viu a população de alta renda crescer 6,5% após um período de queda. Países pequenos e abertos, como Luxemburgo, destacaram-se com saltos expressivos no número de pessoas ricas.

Na África, a valorização de metais preciosos beneficiou criação de riqueza em vários mercados; o Marrocos, por exemplo, teve um dos melhores desempenhos, com expansão superior a 16% na população de alta renda.

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Imagem: Divulgação

Em contraste, a América Latina mostrou avanço modesto, enquanto o Oriente Médio sofreu retração, pressionado pela queda dos preços do petróleo e por tensões regionais.

Houve também mudanças na composição dos portfólios. Em janeiro de 2026, ações representavam cerca de 25% das carteiras dos investidores de alta renda — uma fatia maior que a do ano anterior. Ativos alternativos, como criptomoedas e fundos fechados, perderam participação relativa diante do bom desempenho das bolsas.

Mesmo assim, o apetite por investimentos privados segue forte: dois em cada três investidores de alta renda planejam aumentar exposição a private equity nos próximos meses.

Outra transformação relevante foi a migração de gestão patrimonial: entre 2022 e 2025, cerca de US$ 1,5 trilhão saiu das instituições financeiras tradicionais e passou a ser administrado por family offices e plataformas digitais de investimento.

A concentração de riqueza também se acentuou. Nos EUA, o 1% mais rico das famílias passou a deter quase 32% de toda a riqueza do país no quarto trimestre de 2025 — a maior participação registrada desde o início das séries históricas.

O quadro deixa claro que a redistribuição de ativos e a preferência por ações elevaram fortemente o patrimônio dos mais ricos. Para além dos números, a mudança evidencia um mercado em que tecnologia, capital e estruturas de gestão privada redesenharam o mapa da riqueza global.