Ricardo Bezerra, diretor da Lopes Immobilis e idealizador do Flash Imobiliário, afirma que Fortaleza continua abaixo do seu potencial de valorização e pode iniciar um novo ciclo de alta nos preços dos imóveis nos próximos anos.

Os dados da última década reforçam a avaliação do especialista. Entre 2016 e 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) do mercado imobiliário cearense cresceu de R$ 1,7 bilhão para R$ 8,2 bilhões, enquanto o volume de unidades comercializadas saltou de 2.587 para 18.543. No mesmo período, o preço médio do metro quadrado passou de R$ 6 mil para R$ 8.016, avanço de cerca de 34%. A projeção do Flash Imobiliário para 2026 é de que o mercado atinja R$ 10 bilhões em vendas e lançamentos.

Para Bezerra, os números mostram que a expansão do setor ocorreu principalmente pelo aumento no número de vendas e lançamentos, e não apenas por elevação de preços. Entre 2016 e 2025, o número de unidades vendidas subiu mais de 617%, enquanto o VGV avançou aproximadamente 387% e o preço médio por metro quadrado teve alta de cerca de 34%.

“Eu sempre tenho dito que o mercado cearense está subprecificado. Em outras palavras, quem comprar imóveis na atualidade poderá estar fazendo um grande negócio.”

Beira-Mar e comparação com São Paulo

Bezerra cita a Avenida Beira-Mar como exemplo da defasagem entre o valor do solo e o preço final dos imóveis. Segundo ele, terrenos na Beira-Mar podem chegar a cerca de R$ 100 mil por metro quadrado, enquanto apartamentos de alto padrão na região só agora começam a alcançar cerca de R$ 30 mil por metro quadrado.

“Temos um dos preços por metro quadrado de terrenos mais caros do país. Porém, o metro quadrado dos apartamentos da Beira-Mar somente agora chegou próximo dos R$ 30 mil.”

Como comparação, nos Jardins, em São Paulo, os terrenos custam aproximadamente metade do observado nas áreas mais valorizadas da Beira-Mar, mas apartamentos de alto padrão na capital paulista podem ultrapassar R$ 100 mil por metro quadrado. Para o executivo, essa diferença evidencia que Fortaleza ainda não equilibrou o valor do solo com o preço final dos imóveis.

“Repito: estamos subprecificados. Ainda há muito espaço para que os preços subam e atinjam o equilíbrio.”

Fortaleza ainda está subprecificada e pode ter novo ciclo de valorização imobiliária, diz Ricardo Bezerra

Imagem: Portal IN

Lançamentos, juros e o que observar

O aumento da oferta acompanhou a expansão da demanda: em 2016 o Ceará lançou 859 unidades; em 2025 foram 16.656 unidades, e a expectativa para 2026 é de cerca de 18 mil lançamentos. Esse movimento, na avaliação de especialistas, contribuiu para evitar uma pressão excessiva sobre os preços.

Bezerra aponta também que uma eventual redução da taxa básica de juros pode dar novo impulso ao mercado, ampliando a capacidade de compra das famílias e estimulando lançamentos.

“Esse ritmo de crescimento continuará numa crescente, não somente por conta da pujança que temos em Fortaleza, mas também por algo que certamente acontecerá e que tanto almejamos: a queda da taxa de juros nacional.”

Entre os fatores que investidores devem acompanhar nos próximos anos estão bairros com maior potencial de valorização, expansão de apartamentos compactos e studios, evolução dos aluguéis e da rentabilidade dos imóveis, mudanças no perfil dos compradores, crescimento da Região Metropolitana de Fortaleza, novos empreendimentos de uso misto e bairros planejados, além dos efeitos da eventual redução dos juros sobre o crédito imobiliário.

O conjunto de indicadores aponta que o crescimento do mercado imobiliário cearense foi sustentado por aumento da demanda, dos lançamentos e da atividade econômica, e não apenas pela valorização dos preços, o que, segundo Bezerra, pode representar uma oportunidade para investidores e compradores de longo prazo.

Com informações de Portalin