Quem e o que: Equipes científicas de várias instituições vão aproveitar um eclipse solar total para observar a atmosfera e o campo magnético do Sol, além de estudar tempestades solares que afetam a Terra.

Quando e onde: Na próxima quarta-feira (12), a Lua deve cobrir completamente o Sol por 1 minuto e 40 segundos em uma faixa no norte da Espanha, criando a condição rara que permitirá observações diretas de camadas normalmente ofuscadas pela luz solar.

O que os pesquisadores vão observar

Pesquisadores da Comissão de Energia Atômica da França (CEA) concentrarão esforços na coroa solar, a camada externa da atmosfera do Sol. Allan Sacha Brun, astrofísico da CEA, afirmou à AFP que o objetivo é entender os mecanismos físicos responsáveis pela atividade solar e, com isso, situar o Sol em sua linha do tempo evolutiva.

A coroa se estende por cerca de dez milhões de quilômetros a partir da fotosfera e tem brilho muito inferior a esta, embora possa alcançar temperaturas da ordem de dois milhões de graus Celsius. Em condições normais, essa região é investigada por satélites com coronógrafos — dispositivos que simulam o bloqueio da fotosfera — mas o eclipse permite observações adicionais.

Durante a ocultação total, é possível também visualizar a cromosfera, camada atmosférica situada entre a fotosfera e a coroa. Brun ressaltou a coincidência geométrica que torna o fenômeno possível: a Lua é aproximadamente 400 vezes menor que o Sol, mas está cerca de 400 vezes mais próxima da Terra, o que permite bloquear o disco solar sem encobrir sua atmosfera visível.

Tempestades solares e modelos preditivos

O Sol emite constantemente partículas e matéria; ocasionalmente ocorrem tempestades solares, liberação massiva de plasma e partículas que, ao atingir a magnetosfera terrestre, podem derrubar satélites, representar risco a astronautas e produzir auroras em altas latitudes. Brun lembrou que esses eventos seguem um ciclo de aproximadamente 11 anos e que, segundo ele, em 2024 o Sol alcançou o pico do seu 25º ciclo.

29/05/1919: Eclipse total do Sol abre janela para pesquisas sobre a estrela

Imagem: Divulgação

A Agência Espacial Europeia (ESA) também utilizará o eclipse para estudar o vento solar. Carole Mundell, diretora de ciência da ESA, afirmou que a missão busca entender por que as tempestades se propagam de determinadas maneiras e se é possível construir modelos preditivos confiáveis. A sonda Solar Orbiter, lançada em 2020, já coleta dados sobre atmosfera e vento solar; para Miho Janvier, co-investigadora principal da missão, eclipses são ocasiões úteis para avaliar a precisão dos modelos existentes.

Outras missões e planos futuros

A ESA opera a missão Proba-3, com três satélites voando em formação para criar e estudar mini-eclipses artificiais. Há também propostas para a missão MESOM, que prevê posicionar uma espaçonave na sombra lunar para estender janelas de observação. Lucie Green, física solar da University College London e integrante do projeto MESOM, disse à AFP que eclipses totais têm efeito inspirador tanto para artistas quanto para cientistas e que as observações na Terra alimentam planos de pesquisa espacial.

O evento total no norte da Espanha fornecerá, portanto, uma oportunidade rara para comparar medições de solo com dados orbitais e testar modelos sobre a atmosfera e a atividade do Sol.

Com informações de Olhardigital