O governo do Ceará autorizou a implantação da Dessal Ceará, maior planta de dessalinização de água marinha do Brasil, que será instalada na Praia do Futuro, em Fortaleza. Com capacidade para produzir 1 m³ por segundo (1.000 litros/segundo), a unidade deve aumentar em cerca de 12% a oferta do Macrossistema Integrado de Fortaleza e beneficiar aproximadamente 720 mil pessoas.

O que foi autorizado e como funcionará

A obra foi estruturada como uma Parceria Público-Privada (PPP) com duração contratual de 30 anos. O contrato global da concessão foi estimado em aproximadamente R$ 3,1 bilhões, contemplando implantação, operação e manutenção. A construção da planta foi inicialmente orçada em cerca de R$ 526 milhões, com atualização de valores conforme aquisição de equipamentos e serviços.

A responsabilidade pela implantação e operação caberá à SPE Águas de Fortaleza, consórcio formado por Marquise Infraestrutura, PB Construções e Abengoa Água. O sistema incluirá captação no mar, emissário submarino, estação de tratamento e adutora para integrar a água dessalinizada à rede pública.

Prazo e etapas

Com a autorização concedida, inicia-se a fase de mobilização, aquisição de equipamentos e preparação das áreas para as obras civis. O cronograma prevê aproximadamente 24 meses de implantação, com expectativa de entrada em operação no segundo semestre de 2028, dependendo da evolução das etapas executivas.

Desafios de engenharia e licenciamento

O projeto passou por estudos de viabilidade, licenciamento ambiental, audiências públicas e adequações técnicas. Negociações foram necessárias para compatibilizar a nova infraestrutura com os cabos submarinos de telecomunicações existentes na Praia do Futuro, um ativo estratégico para a conectividade internacional de dados de Fortaleza.

Impactos operacionais e econômicos

Além de ampliar o abastecimento imediato, a Dessal Ceará deve contribuir para reduzir a vulnerabilidade do sistema diante de eventos climáticos extremos, oferecendo uma fonte de água menos dependente do regime de chuvas. A operação prevista de produção diária atinge cerca de 86,4 milhões de litros. Estima-se a geração de cerca de 600 empregos durante a obra e aproximadamente 60 empregos na operação.

Imagem: Divulgação

O projeto é apresentado como parte de uma estratégia mais ampla de segurança hídrica no Estado, que inclui reservatórios, integração de bacias e adutoras. O Grupo IN acompanhou as discussões do empreendimento e, em entrevistas ao Portal IN e à Revista Insider, o presidente da Cagece, Neuri Freitas, ressaltou a importância da diversificação das fontes de abastecimento frente ao crescimento da demanda e às mudanças climáticas.

A autorização marca a transição da etapa de planejamento para a execução da planta, consolidando uma nova fase na infraestrutura hídrica do Ceará e ampliando a resiliência do sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.

Com informações de Portalin