Empresas precisam projetar resiliência diante de nova onda de tarifas

Líderes empresariais devem encarar as recentes tarifas internacionais como uma condição persistente e não como um choque temporário, afirmam especialistas da Harvard Business Review. A recomendação surge após a imposição de novas taxas pelo presidente Donald Trump, decorrentes de decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou inconstitucionais muitas tarifas anteriores.

Segundo o texto, a melhor reação é estruturar operações capazes de absorver impactos e se adaptar, em vez de apenas protestar. A mudança faz parte de um contexto mais amplo de disrupções, que também inclui pandemias, conflitos, eventos climáticos, restrições ambientais e instabilidade social.

O artigo cita exemplos práticos de gestão da cadeia de suprimentos, destacando a Breville, fabricante australiana de pequenos eletrodomésticos, como caso de sucesso. O autor informa que vem atuando como consultor da Breville desde 2021 para promover a realocação de produção fora da China. Jim Clayton, CEO da Breville, é mencionado como parceiro de longa data do consultor desde o período em que ambos trabalharam na LG Electronics, em Seul.

Em 11 de fevereiro, a Breville relatou resultados do segundo semestre de 2025: receita cresceu 10,1% e o lucro bruto subiu 6,3%. A empresa afirmou que mais de 80% de seus lucros brutos provenientes de produtos vendidos nos Estados Unidos vieram de itens fabricados fora da China, ante 15% três anos antes.

Para enfrentar o ambiente tarifário, a Breville redesenhou sua rede de suprimentos, adotando inicialmente dupla fonte entre China e México e depois incorporando fornecedores na Indonésia, Vietnã e Camboja. A experiência da empresa fundamenta dez regras práticas propostas para líderes empresariais:

Regra 1: Preserve capacidades, ajudando fornecedores a se mover — co-investir na realocação ou expansão de parceiros pode neutralizar o efeito das tarifas sem perder capacidade técnica.

Regra 2: Construa capacidade local — equipes locais que qualificam fornecedores e aceleram transições ampliam velocidade e visibilidade do custo total até a prateleira.

Regra 3: Diversifique amplamente, não apenas de forma simbólica — mitigação real exige múltiplas geografias além da estratégia “China mais um”.

Regra 4: Trate a velocidade como um ativo estratégico — responder rápido pode valer mais do que preservar margens unitárias quando o objetivo é proteger receita e níveis de serviço.

Regra 5: Reconheça o quão integrado o mundo se tornou — habilidades de manufatura se espalharam, e países fora dos polos tradicionais podem oferecer qualidade e escala.

Imagem: Pressfoto/Freepik

Regra 6: Não deixe a IA distraí-lo dos fundamentos — ganhos vêm sobretudo de bom design de produto e execução manufatureira; IA auxilia, mas não substitui operações sólidas.

Regra 7: Mantenha opções preservando relacionamentos — diversificar não significa abandonar capacidades acumuladas por décadas na China; manter opcionalidade é estratégico.

Regra 8: Deixe a concorrência trabalhar a seu favor — diversidade de fornecedores tende a estimular concorrência, reduzir preços e melhorar desempenho.

Regra 9: Mantenha o foco no custo total — tarifas são relevantes, mas decisões mais eficientes consideram o custo total até o ponto de venda.

Regra 10: Mantenha o controle da lista de materiais — gerir onde componentes e mão de obra são posicionados é fundamental para preservar flexibilidade e controle de custos.

O autor defende que encarar tarifas como permanentes traz clareza sobre processos, modelos operacionais e responsabilidades de decisão, impulsionando a construção de organizações mais resilientes. A globalização, segundo o texto, ampliou as opções de fornecimento e manufatura, e as tarifas atuam como catalisador para avaliar essas opções com disciplina.

Com informações de Infomoney