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O governo federal cancelou em agosto de 2025 o projeto brasileiro de foguete lançador de satélites de pequeno porte após a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) identificar inconsistências na prestação de contas de R$ 24,5 milhões repassados à Akaer. Conforme detalhado em nossa matéria anterior, disponível em https://revistaoeste.com/tecnologia/por-irregularidade-governo-cancela-projeto-brasileiro-de-foguete-para-satelites/, a medida afeta um investimento total previsto de R$ 180 milhões.

Prestação de contas e irregularidades

Em parcela única, a Finep transferiu R$ 41,3 milhões à Akaer para coordenar o desenvolvimento do lançador em parceria com startups do setor aeroespacial.

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo apontam que apenas R$ 16,7 milhões tiveram destino devidamente justificado, sem transparência sobre o montante restante.

Suspensão e apuração

O contrato, assinado em dezembro de 2023 com conclusão prevista para o final de 2025, foi suspenso pela Finep em maio e oficialmente interrompido em agosto de 2025.

A agência exigiu a devolução integral dos recursos e acionou o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União para investigação das falhas na gestão financeiro-administrativa.

O foguete Montenegro MKI

Batizado de Montenegro MKI, o lançador teria 10 metros de altura, três estágios, meio metro de diâmetro e peso aproximado de 2,5 toneladas.

Imagem: Lisandra Paraguassu/Estadão Conteúdo

O consórcio era liderado pela Akaer, com participação da Acrux Aerospace, Breng Engenharia e Tecnologia e Essado de Morais, que compartilhavam atualizações no Instagram e divulgavam vídeos no YouTube.

Impactos nas startups

Segundo o fundador da Acrux, Oswaldo Loureda, atrasos nos repasses afetaram salários e fornecedores. As startups só souberam da liberação dos recursos por conversas informais.





Em março de 2025, a Finep bloqueou as contas da Akaer após denúncias de retenção de valores que inviabilizaram a continuidade das atividades.

Acrux, Breng e Essado de Morais afirmam ter prestado contas e aguardam decisão sobre a cobrança dos R$ 41,3 milhões, defendendo que a devolução seja atribuída apenas à Akaer.