O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou, na tarde de segunda-feira, 20 de abril de 2026, a saída do país do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A medida foi comunicada pelo Escritório para o Hemisfério Ocidental em publicação na plataforma X/Twitter.

Na mensagem publicada pelo órgão americano, foi afirmado que não é aceitável que agentes estrangeiros se valham do sistema de imigração dos EUA para substituir mecanismos formais de extradição e para perseguir adversários políticos. O texto informou que o funcionário brasileiro recebeu ordem para deixar o território norte-americano por tentativa de utilizar esse sistema de forma indevida.

Perfil do delegado expulso

Marcelo Ivo de Carvalho, natural de Santos (SP), ingressou na Polícia Federal em 2003. Desde agosto de 2023, estava lotado no escritório do ICE em Miami, sendo o único delegado da PF destacado para trabalho presencial nas dependências da agência americana. Na função, ele coordenava ações de cooperação em investigações transfronteiriças e operações relacionadas à imigração na Flórida.

Caso Ramagem

A expulsão está ligada à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi abordado em 13 de abril em Orlando, na Flórida, por uma infração de trânsito e, em seguida, detido pelo ICE. Durante a checagem de documentos, as autoridades constataram que o passaporte diplomático de Ramagem estava invalidado — o documento havia sido anulado pela Câmara em dezembro de 2025 após a cassação de seu mandato.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que a prisão decorreu de “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA no combate ao crime organizado”.

Articulação prévia com o ICE

Reportagem da BBC apontou que a ação contra Ramagem foi articulada com autoridades migratórias americanas meses antes da detenção. O documento usado para justificar a prisão não mencionava crimes cometidos no Brasil nem trazia pedido formal de extradição. Dois dias depois da detenção, o ICE informou à Polícia Federal que Ramagem havia sido liberado por “decisão administrativa” e que poderia permanecer nos Estados Unidos.

Imagem: Reprodução/Linkedin

Condenação e saída do Brasil

Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. No mesmo mês, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana, sem passar pelos controles de imigração, e entrou nos Estados Unidos usando passaporte diplomático. O governo brasileiro apresentou pedido formal de extradição em dezembro de 2025.

Reações

Entre as manifestações públicas, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) ironizou a saída do delegado, afirmando que a Polícia Federal teria tentado tratar o caso como deportação justificada por irregularidade no status migratório, em vez de seguir o trâmite de extradição. Segundo Eduardo Bolsonaro, Ramagem estaria em situação regular nos EUA e com pedido de asilo válido.

A expulsão do delegado foi compulsória, e o governo norte-americano não detalhou oficialmente os motivos específicos. A Polícia Federal afirmou não ter sido comunicada antecipadamente sobre a medida, e o Itamaraty declarou que não comentaria o caso.

Com informações de Conexaopolitica