A British American Tobacco (BAT) anunciou movimentação voltada a startups no Brasil por meio de um hub de investimentos e inovação criado no país que se conecta ao seu braço de corporate venture capital, o BTomorrow Ventures (BTV). O fundo global, lançado em 2020, já destinou R$ 1,1 bilhão a 31 empresas e ainda dispõe de cerca de R$ 2,5 bilhões para alocações futuras.

Claudia Woods, que assumiu a presidência da BAT Latam South em janeiro do ano passado após passagem pela WeWork na América Latina, lidera a iniciativa com o objetivo de ampliar a atuação da companhia além do segmento de cigarros. Segundo a executiva, a expectativa é realizar ao menos dois aportes em startups brasileiras ainda este ano.

O que o hub oferece

O novo hub propõe mais do que capital: pretende integrar startups à infraestrutura operacional da BAT, incluindo uma malha de 250 mil pontos de venda, capacidade de manufatura e logística e mais de 120 anos de experiência em distribuição e marketing de consumo em massa. Para formalizar esse apoio, a empresa desenvolveu a metodologia TFactor, construída em parceria com empreendedores das investidas para mapear competências que a BAT pode aportar além do investimento financeiro.

A proposta busca reduzir o hiato entre inovação e escala, considerado um dos principais obstáculos ao crescimento de startups. Na prática, a BAT tem defendido uma abordagem de CVC que prioriza oferecer às empresas as ferramentas e a estrutura necessárias para atender às suas próprias necessidades, em vez de forçá-las a alinhar-se estritamente à estratégia interna do grupo.

Foco de investimentos e exemplos

O BTomorrow Ventures tem direcionado aportes para setores como bens de consumo e tecnologia para varejo, com destaque para alimentos e bebidas. Entre as empresas apoiadas globalmente estão a norte-americana More Labs (bebidas funcionais), a canadense Awake Chocolate (snacks) e a americana Moment (bebidas funcionais). No Brasil, o fundo já investiu na Mais Mu, marca de snacks e suplementos saudáveis.

No segmento de tecnologia para o varejo, o fundo também atuou no mercado brasileiro: a logtech Uello, de São Paulo, foi uma das investidas e foi vendida para as Lojas Renner em 2022. A BAT vê o Brasil não apenas como destino de investimento, mas como plataforma para que startups escalem internacionalmente, aproveitando a presença do grupo em mais de 140 países.

Imagem: Divulgação

Internamente, o hub também tem papel cultural: funcionários, líderes e especialistas da BAT são incentivados a colaborar com as startups, disponibilizando conhecimento e recursos da companhia para acelerar a transição para negócios além do tabaco. A meta corporativa é que, até 2035, mais de 50% da receita global venha de novas áreas de negócio.

O hub brasileiro foi lançado neste mês e deverá em breve anunciar novas empresas que utilizarão o país como porta de entrada para expansão na América Latina.

Com informações de Infomoney