O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, enviou mensagens diretas a Elon Musk na plataforma X na tentativa de reforçar o compromisso do banco e conquistar a posição de liderança no IPO da SpaceX, segundo pessoas próximas ao assunto.

Bancos de investimento têm disputado o papel de coordenador principal da oferta pública inicial, que segundo a Bloomberg mira uma avaliação superior a US$ 2 trilhões e a captação de US$ 75 bilhões. No mercado, essa operação é vista como potencial recorde de captação em uma só abertura de capital e como uma das mais esperadas deste ano, com impacto relevante nas receitas de taxa dos bancos envolvidos.

Historicamente, o Morgan Stanley é considerado o banco mais próximo de Musk, após anos de relacionamento e apoio em operações complexas, como a compra do Twitter (hoje X). Ainda assim, o Goldman comemorou internamente ao aparecer à frente do Morgan no registro do IPO, posição que simboliza prestígio para bancos que lideram grandes ofertas.

O trabalho do Goldman no processo está a cargo de banqueiros seniores da instituição, entre eles Dan Dees, Kim Posnett e David Ludwig, com a participação de Susie Scher como conselheira sênior. Em uma minuta de contrato vista por fontes, o Morgan Stanley apontou que ambos os bancos atuam como co-líderes e que a ordem em que figuram no documento segue critério alfabético.

Motivações e histórico

Garantir a posição de “lead-left” em uma oferta desse porte traz não só taxas elevadas, mas também vantagem competitiva para conquistar futuros clientes. Solomon já é conhecido por medidas simbólicas para ganhar mandatos: quando chefiava a área de investment banking, aparece em relatos do mercado que organizou uma ação com a equipe vestindo roupas da Lululemon para vencer a concorrência em um IPO de varejo em 2007.

A relação de Musk com o Morgan Stanley inclui a nomeação de um ex-banqueiro do banco como diretor financeiro da xAI, além da atuação de Jared Birchall como gestor da fortuna do bilionário. Michael Grimes, outro executivo do Morgan, teve papel central no trabalho do banco na compra do Twitter, operação que implicou em risco para o banco por conta de dívidas que assumiu no processo. O grupo liderado pelo Morgan conseguiu, ao longo do tempo, reduzir esse risco à medida que preocupações de mercado diminuíram; Grimes chegou a trabalhar no governo Trump e retornou ao Morgan no início deste ano, movimento que gerou apreensão no Goldman.

A relação entre Musk e o Goldman também já teve momentos conturbados. Em 2018, o tuíte de Musk com a expressão “funding secured” sobre fechar o capital da Tesla gerou confusão ao mencionar o Goldman como assessor antes de contratação formal; o banco acabou posteriormente atuando como assessor e chegou a se reunir com Musk em sua casa para discutir formas de financiamento. Quando Musk avançou na aquisição do Twitter, alinhou-se ao Morgan Stanley, enquanto o Goldman apoiou o Twitter na defesa contra a oferta hostil.

Imagem: Divulgação

A SpaceX se firmou como uma das empresas mais influentes do setor aeroespacial, com contratos governamentais bilionários e peso político significativo. Executivos da empresa, incluindo Musk, participaram recentemente de uma viagem com o presidente Donald Trump à China para encontro com o presidente Xi Jinping.

Solomon mantém presença discreta nas redes sociais há mais de uma década. Nos primeiros anos como CEO, postava comunicados e trechos musicais; em 2022, deixou de compartilhar conteúdos ligados à sua atividade como DJ. Em recente podcast, afirmou que não é contrário a mostrar interesses pessoais nas plataformas, comentando sobre a dinâmica entre suas preferências e a equipe.

O processo de seleção dos bancos para liderar o IPO da SpaceX segue em andamento, com disputa acirrada entre instituições interessadas em assumir o comando da oferta.

Com informações de Infomoney