A gestora de investimentos KPTL anunciou a venda de sua participação na Lamiecco, fabricante de revestimentos laminados a partir de PET reciclado, em operação que totalizou R$ 42 milhões. O desinvestimento representou um retorno de 4,6 vezes sobre o aporte inicial de R$ 9 milhões realizado pela KPTL.

A Lamiecco produz materiais para os setores automotivo, de móveis e da construção civil e vinha sendo acompanhada pelo fundo FIMA, criado pelo BNDES com foco em inovação tecnológica aplicada ao meio ambiente. Do total de 11 empresas que compunham o FIMA, sete já tiveram as participações vendidas; o negócio com a Lamiecco é, até o momento, a maior operação em valor do fundo.

A empresa foi fundada em 2007 em Montauri (RS) e se consolidou como a maior companhia de economia circular em seu segmento na América Latina. Atualmente, cerca de 10% da produção é exportada para doze mercados. No ano passado a Lamiecco registrou faturamento de R$ 100 milhões, com projeções de R$ 150 milhões para 2026 e R$ 220 milhões para 2027.

A KPTL ingressou no capital da Lamiecco em janeiro de 2014, quando a companhia já contava sete anos de operação e enfrentava restrições de caixa e de gestão. Além do aporte financeiro, a gestora implementou práticas de governança, como conselho de administração e balanço auditado, fortaleceu a gestão financeira e incentivou investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A empresa deixou de queimar caixa e montou o que classifica hoje como o maior centro tecnológico do setor. Na época do investimento, o mercado industrial respondia por 5% do faturamento; hoje corresponde a 90%.

A transação não seguiu o roteiro mais comum de saída por venda a terceiros: havia um grupo interessado na participação, mas os fundadores Alexandre Figueiró e Cladir Roso exerceram o direito de preferência e adquiriram 100% do negócio. A KPTL destacou o movimento como indicativo da saúde e do comprometimento dos fundadores com a continuidade da operação.

Imagem: Divulgação

Para a gestora, o caso da Lamiecco reforça a tese de que iniciativas ligadas à agenda climática podem ser transformadas em negócios rentáveis e de grande escala. O acordo com a Lamiecco figura entre os maiores desinvestimentos da KPTL nos últimos cinco anos, ao lado da venda da Nanovetores para a suíça Givaudan em 2022, com retorno de 14 vezes, e da Imeve em 2021, com retorno de 6,5 vezes.

Atualmente a KPTL administra dez fundos e mantém investimento em cerca de 70 empresas, muitas em estágio maduro e em processo de desinvestimento.

Com informações de Infomoney