O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na terça-feira (21) que o Brasil adotará “reciprocidade” caso seja confirmada a existência de um abuso por parte dos Estados Unidos na expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho.

Lula fez a declaração ao deixar um hotel em Hannover, na Alemanha, onde estava, antes de embarcar para Lisboa. Segundo o presidente, ele tomou conhecimento do episódio apenas na manhã desta terça e disse não ter detalhes precisos sobre o que ocorreu.

Posição do presidente e possibilidade de retaliação

“Fui informado hoje de manhã. Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil”, afirmou Lula. O chefe do Executivo também disse não aceitar “essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”, abrindo a hipótese de expulsão de agentes de ligação estadunidenses em atuação no país.

Esclarecimentos da Polícia Federal

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o delegado Marcelo Ivo estava destacado em Miami “há mais de dois anos”, exercendo atividades de cooperação policial em missão semelhante à realizada em 34 países. Rodrigues afirmou que a atuação do delegado se baseava em um memorando de entendimentos entre a PF e autoridades americanas e que, por isso, havia conhecimento e trabalho conjunto entre as partes.

A PF informou que aguarda esclarecimentos formais das autoridades dos EUA sobre os motivos que levaram à medida.

Confirmação da expulsão e justificativa dos EUA

O Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado confirmou, na tarde de segunda-feira (20), a expulsão de Marcelo Ivo. Em publicação no X/Twitter, a pasta afirmou: “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA.” A ação foi comunicada à Embaixada do Brasil sem aviso prévio à Polícia Federal.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ligação com prisão de Alexandre Ramagem

A expulsão está relacionada à detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo ICE em Orlando, no dia 13 de abril. Reportagem da BBC apontou que a prisão teria sido articulada meses antes entre a Polícia Federal e autoridades migratórias dos EUA, mas o documento usado para justificar a detenção não citava crimes cometidos no Brasil nem continha pedido formal de extradição. Ramagem foi liberado dois dias depois por “decisão administrativa” do ICE e agradeceu ao governo Trump pela soltura.

Reações políticas

No campo da direita, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA desde fevereiro, comemorou a expulsão do delegado e publicou no X: “Perdeu Mané.” O jornalista e aliado de Ramagem, Paulo Figueiredo, declarou que a medida “foi muito pouco” e não descartou a possibilidade de uma queixa-crime contra o delegado.

As autoridades brasileiras aguardam agora esclarecimentos formais dos Estados Unidos para definir próximos passos diplomáticos e da segurança pública.

Com informações de Conexaopolitica